1 A CRISE PARADIGMÁTICA E A CRÍTICA DO CONHECIMENTO GEOGRÁFICO Eliseu Savério Sposito 1 RESUMO A atual crise paradigmática nas ciências e na Filosofia, que também atinge a Geografia, pode ser focalizada historicamente pelos direcionamentos que o conhecimento tem recebido nas últimas décadas. As transformações nos conceitos de tempo e de espaço, o esgotamento dos paradigmas clássicos da Física e as mudanças nos arranjos sociais provocaram um descompasso nas análises epistemológicos, principalmente quando nos referimos ao pensamento geográfico. Esse descompasso deve-se, em primeiro lugar, à inconsequência na utilização do método (não distinção dos diferentes métodos; confusão entre terminologias, postulados e caminhos do raciocínio, por exemplo) e à falta de rigor científico no trabalho com os conceitos. A explicação dessas falhas devem ser buscadas na falta de critérios quando da divulgação do conhecimento elaborado e na distorção produzida pela necessidade da universidade em produzir o conhecimento voltado para sua utilidade próxima e máxima. Quando falamos mais especificamente da Geografia, as diferentes “ondas” que tomaram conta do discurso geográfico espelharam, em descompasso com a Filosofia, a confusão entre categorias e conceitos, e a apropriação de teorias sem seu conhecimento profundo, numa transposição simplificada e padronizada, principalmente do pensamento econômico. Mesmo assim, não se deve esquecer que as referidas ondas presentes no discurso geográfico, têm como referências as mudanças de paradigmas filosóficos e sociais na base da teoria do conhecimento, e suas consequentes influências no discurso que configura a produção e a reprodução do conhecimento científico. Com esta comunicação, buscamos o debate sobre a necessidade de uma maior aproximação da Geografia com a Filosofia, de um maior discernimento no que se refere fundamentalmente ao método - que historicamente, em vários trabalhos acadêmicos, tem sido usado como sinônimo de metodologia -, e das distinções do conhecimento produzido em seus níveis técnico, científico e epistemológico, considerando as diferentes tendências científico- metodológicas presentes - que poderíamos, em princípio, classificar como empírico-analítica, fenomenológico-hermenêutica e crítico-dialética - na produção do saber geográfico. 1 Geógrafo, professor do Departamento de Geografia da Faculdade de Ciências e Tecnologia (UNESP, campus de Presidente Prudente), e coordenador do GAsPERR (Grupo Acadêmico Produção do Espaço e Redefinições Regionais).