Disponível em www.bad.pt/publicacoes Paper 1 Cuidar da memória, do futuro e da sustentabilidade: comparar estratégias profissionais Paula Ochôa a , Leonor Gaspar Pinto b a CHAM e DH, FCSH, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal, poc.paula@gmail.com b CHAM, FCSH, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal, lgpinto@sapo.pt Resumo Esta comunicação utiliza o método comparativo para debater as estratégias profissionais necessárias ao sector de Informação-Documentação para garantir o alinhamento de três áreas indissociáveis: a memória, o estudo do futuro e a sustentabilidade. O estudo foi realizado no âmbito do Projeto BPS - Bibliotecas Públicas e Sustentabilidade: Recolha de Evidências da Contribuição para os ODS [Project PLS - Public Libraries and Sustainability: Gathering Evidences of Contribution to SDGs)], desenvolvido na NOVA FCSH, desde 2016. São considerados cinco casos (Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Espanha e Portugal) e quatro documentos estratégicos: The future now: Canada’s libraries, archives, and public memory (Royal Society of Canada, 2014), Taking libraries to 2025: the future of libraries report (LIANZA, 2015), The future of the LIS profession (A LIA, 2014) e Prospectiva 2020: las diez áreas que más van cambiar en nuestras bibliotecas en los próximos años (Consejo de Cooperación Bibliotecaria. Grupo Estratégico para el Estudio de Prospectiva sobre la Biblioteca en el Nuevo Entorno Informacional y Social, 2014). Os resultados revelam e permitem compreender a importância da realização de estudos prospetivos, destacando ainda os efeitos da sua ausência no caso português. Palavras-chave: Profissão de Informação Documentação, Memória, Estudos do futuro, Sustentabilidade, Método comparativo. Introdução A pertinência de um olhar estratégico sobre a profissão de Informação Documentação (ID) que integre a memória, os futuros prováveis e o seu posicionamento sustentável, não é algo inédito e podemos, aliás, afirmar com segurança que tem sido essa a ambição da profissão de ID desde os anos 70, evidenciada por documentos estratégicos da Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas (BAD), como os vários Manifestos, hoje pouco conhecidos e lembrados entre as novas gerações de profissionais (Ochôa e Pinto, 2013). Parece ser evidente para aqueles e aquelas que se interessam atualmente por estes temas que as memórias da profissão são ainda fragmentadas, não suficientemente sistematizadas, registadas e investigadas, e tendo por base maioritariamente a memória de cada uma das gerações, não se verificando que seja dado especial valor à partilha da memória intergeracional para a construção do futuro (Ochôa e Barata, 2018). Esta lacuna tem fragilizado a profissão e, se não for cuidada, continuará a ter efeitos nefastos, também nos posicionamentos estratégicos face à sustentabilidade e às oportunidades originadas pela Agenda 2030 (ONU, 2015). Esta necessidade de ligação às estratégias coletivas alicerçadas em organizações, como as associações profissionais, só é possível se estiver suportada na memória profissional coletiva, se esta for suficientemente recordada e estudada (Ochôa e Barata, 2018) e se o seu foco estiver na construção do futuro coletivo (Coerver e Byers, 2011, 2013; Szpunar e Szpunar, 2016) e em estratégias de visibilidade e impacto (Streatfield e Markless, 2011; Henczel, 2016). Para isso, torna-se necessária a brought to you by CORE View metadata, citation and similar papers at core.ac.uk provided by Repositório da Universidade Nova de Lisboa