De volta ao futuro da língua portuguesa.
Simpósio 20 - História e memória na língua portuguesa em tempos de colonização/descolonização linguística, 551-566
ISBN 978-88-8305-127-2
DOI 10.1285/i9788883051272p551
http://siba-ese.unisalento.it, © 2017 Università del Salento
551
QUE LÍNGUA É ESSA QUE, EM SOLO BRASILEIRO, SE
INSTITUCIONALIZA NOS INSTRUMENTOS LINGUÍSTICOS?
1
Vanise MEDEIROS
2
Verli PETRI
3
Eu viajava com as palavras ao modo de um dicionário.
(Manoel de Barros)
RESUMO
As relações entre língua, história e memória nos tocam de modo muito especial,
enquanto brasileiros que têm como língua nacional e oficial a língua portuguesa,
sobretudo quando nos propomos a refletir sobre o processo de
colonização/descolonização linguística (Mariani, 2004; Orlandi, 2009). A língua
nomeada portuguesa é, no Brasil, posta como língua da mãe, língua da escola, língua
que é unidade, mas também como língua da diversidade, tanto interna ao solo brasileiro
quanto em relação a Portugal. É nos espaços de contradição que essa língua se constitui
e se institui, espaço este no qual nos interessa instalar uma discussão mais específica
sobre a língua que trabalha o efeito de unidade e de diversidade. Com este trabalho,
consideramos uma reflexão já por nós engendrada (Petri & Medeiros, 2013) sobre as
partições na língua. As partições não desintegram a língua, ao contrário, trabalham a
unidade nacional, delimitando o que seriam suas especificidades, entre outras, sociais e
regionais. Nossa proposta é fazer um recorte que explicite dois espaços de produção
linguística que promovem, ao mesmo tempo, a manutenção da língua (com seu efeito de
totalidade) e a partição da língua (introduzindo o diferente no interior do mesmo) a fim
de dar continuidade a uma reflexão sobre memória na língua.
PALAVRAS-CHAVE: língua; regional; nacional; História das Ideias Linguísticas.
1. Introdução
A questão que se coloca como ponto de partida desta reflexão é: “Que língua é
essa que está institucionalizada nos instrumentos linguísticos?”. Ao prepararmos nossa
1 Este texto parte advém de um artigo (Petri e Medeiros, 2013), fruto de nossa pesquisa, publicado na
revista Letras 46, UFSM, 2013.
2 Bolsista PQ-CNPq. Laboratório Arquivos do Sujeito/UFF, CNPq, FAPERJ. Santa Teresa, Rio de
Janeiro. CEP: 20240090, email: vanisegm@yahoo.com.br
3 Laboratório Corpus, PPGL/UFSM. Santa Maria, Rio Grande do Sul, CEP: 97010031, email:
verli.petri72@gmail.com
Atas do V impósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa