Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXX Encontro Anual da Compós, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo - SP, 27 a 30 de julho de 2021 1 www.compos.org.br www.compos.org.br/anais_encontros.php MESMIDADE E IPSEIDADE EM NARRATIVAS DA MEMÓRIA DE CIDADES: fricções temporais num cotidiano em tensão em Quanto tempo dura um bairro? 1 SAMENESS E IPSEITY IN CITIES MEMORY NARRATIVES: temporal frictions in a stressed daily life in Quanto tempo dura um bairro? Luciana Amormino 2 Resumo: Tomando como referência o pensamento de Paul Ricoeur sobre a identidade narrativa, este artigo busca refletir, a partir do gesto de memória efetuado pelo projeto Quanto tempo dura um bairro?, a respeito das condições de mesmidade e ipseidade refletidas na instituição da memória da cidade, que se dá, neste caso, por meio do registro de seus vestígios materiais, tombados como patrimônio ou em vias de serem tombados. Vislumbrando as fricções na memória e nas temporalidades que o projeto efetua, observa-se um certo tensionamento entre um cotidiano dinâmico e multitemporal e a tentativa de fixação de uma memória, que parece reiterar um gesto monumentalizante sobre a memória da cidade. Palavras-Chave: memória; identidade narrativa; cotidiano Abstract: Taking Paul Ricoeur's thought about narrative identity as reference, this article seeks to reflect, based on the memory gesture carried out by the project How long does a neighborhood last?, regarding the conditions of sameness and ipseity reflected in the institution of city's memory, which takes place, in this case, through the registration of its material remains, registered as heritage or in the process of being registered. Glimpsing the frictions in the memory and the temporalities that the project carries out, there is a certain tension between a dynamic and multitemporal daily life and the attempt to fix a memory, which seems to reiterate a momumentalizing gesture over the city's memory. Keywords: memory; narrative identity; daily life 1. Introdução Belo Horizonte é uma cidade planejada para ser a nova capital de Minas Gerais, inaugurada em 1897, cuja existência se funda sobre um gesto de apagamento do Arraial de Curral Del Rey, que já tinha uma vida pulsante na localidade onde a nova cidade viria a ser instalada. 1 Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho Memória nas Mídias do XXX Encontro Anual da Compós, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo - SP, 27 a 30 de julho de 2021. O presente artigo foi realizado com apoio da Capes, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil, no âmbito do Programa de Excelência Acadêmica (Proex). 2 Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (PPGCOM/UFMG), luamormino@gmail.com.