09 a 12 de setembro de 2012 Búzios, RJ REMOÇÃO DE METAIS TÓXICOS POR BRIÓFITAS AQUÁTICAS R. J. E. MARTINS 1,2 , V. J. P. VILAR 2 e R. A. R. BOAVENTURA 2 1 Escola Superior de Tecnologia e Gestão, Instituto Politécnico de Bragança, Portugal 2 LSRE - Laboratório de Processos de Separação e Reacção - Laboratório Associado LSRE/LCM – DEQ, Faculdade de Engenharia, Universidade do Porto, Portugal E-mail para contato: rmartins@ipb.pt RESUMO - Tradicionalmente a remoção de metais pesados de efluentes é feita usando diversas técnicas normalmente dispendiosas e/ou pouco eficientes para soluções diluídas. A biossorção, processo em que materiais naturais ou seus derivados são usados na remoção e recuperação de metais pesados, proporciona um tratamento alternativo competitivo, pelo que os respectivos parâmetros cinéticos e de equilíbrio devem ser bem conhecidos, de modo a prevenir fracassos na sua aplicação. Foram estudados os processos de bioacumulação/eliminação e de biossorção de Cd, Cr, Pb e Zn pelo musgo aquático F. antipyretica. Relativamente à análise directa da água os musgos apresentam a vantagem de permitirem uma integração de variações no espaço e no tempo, favorecendo o nível de quantificação do contaminante por concentração dos elementos tóxicos e fornecendo informação acerca das espécies biodisponíveis. Realizaram-se experiências em contínuo para determinar as cinéticas de acumulação e libertação de metal pelo musgo. Um modelo cinético de transferência de massa de primeira ordem foi ajustado aos resultados experimentais, sendo determinados fatores de bioconcentração (BCF) e de eliminação biológica (BEF). 1. INTRODUÇÃO A progressiva contaminação dos diferentes compartimentos ambientais por metais tóxicos é uma das mais significativas ocorrências a nível global. A poluição por cádmio, chumbo, crómio e zinco representa um risco potencial para o ar, solo e água. Por outro lado, estes metais não são biodegradáveis e tendem a acumular-se nos organismos vivos. As consequências da sua presença nos ecossistemas aquáticos para a saúde humana, organismos vivos aquáticos e consumidores de plantas e animais contaminados são amplamente conhecidas (Volesky, 2000). Os efeitos adversos na saúde humana estão bem documentados: cádmio (insuficiência pulmonar, hipertensão, distúrbios renais, cancro); chumbo (danos no fígado, rins, sistema reprodutivo e funções cerebrais); crómio (irritações ao nível do aparelho respiratório, problemas circulatórios, de estômago e sanguíneos, efeitos renais e no fígado e acréscimo do risco de morte por cancro do pulmão); zinco (anemia, danos no pâncreas e decréscimo nos níveis de lipoproteínas de alta-densidade) (Lee e White, 2007).