1 UNIVERSIDADE DA SÃO PAULO FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas Área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa Disciplina: FLC05377 – Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa IV Profa. Dra. Rosangela Sarteschi MARCOS VINICIUS SOUZA SILVA A EXPERIÊNCIA FEMININA EM MEIO À VIOLÊNCIA: ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE "FORAM AS DORES QUE O MATARAM", DE DINA SALÚSTIO E "MARIDO", DE LÍDIA JORGE Para Hannah Arendt, a violência sempre desempenhou grande papel nas atividades humanas, estando presente em todos os âmbitos e ciclos da história da humanidade. No entanto, tal ação raramente foi objeto de consideração pelos estudiosos, ou até mesmo pelo senso comum, uma vez que "tomou-se a violência e sua arbitrariedade como fatos corriqueiros e foram, portanto, negligenciadas; ninguém questiona ou examina aquilo que é óbvio para todos." (ARENDT, 2011). Desse modo, o seguinte trabalho tem como objetivo principal examinar a representação feminina em meio à violência em dois contos, "Foram as dores que o mataram", de Dina Salústio e "Marido", de Lídia Jorge. Para isso, serviremos do método comparatista como base para nossa análise, pelo qual buscaremos descrever, analisar e comparar as figurações das personagens nos contos, o enredo, o tempo, o espaço e o foco narrativo envolvidos em ambas as narrativas, ressaltando as nuances sócio-histórico-culturais particulares a cada obra. A priori, apresentaremos as autoras dos contos alvos deste trabalho. Lídia Jorge é uma escritora portuguesa nascida em 1946. A autora cursou Filologia Românica na Universidade de Lisboa e atuou como professora em Angola e Moçambique durante alguns anos do último período da Guerra Colonial. Lídia publicou seu primeiro romance em 1980, e dentre sua obra destacam-se romances, contos, peças teatrais e livros infantis.