355 Rev. Ciênc. Admin., Fortaleza, v. 14, n. 2, p. 355-356, dez. 2008. O Sertanejo e o caminho das águas: O Sertanejo e o caminho das águas: políticas públicas, modernidade e sustentabilidade no semi-árido. Suely Salgueiro Chacón. Fortaleza: BNB, 2007. Série Teses e Dissertações. Vol. 8. ISBN: 978-85-8706296-3 Edição: 1ª EDIÇÃO - 2007 Numero de páginas: 354. Formato: BROCHURA A autora é Economista, Mestra em Economia Rural com doutorado em Desenvolvimento Sustentável e Gestão Ambiental (CDS/UnB). Foi Coordenadora do Curso de Economia da Universidade de Fortaleza (UNIFOR), Presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (CORECON-CE) e atualmente representante do Ceará no Conselho Federal de Economia (COFECON). É Professora Adjunta da Universidade Federal do Ceará. A autora tem publicado na imprensa, discorren sobre assuntos de desenvolvimento e economia e contribuído com vários artigos nos principais fóruns especializados na área. O livro é adaptação da tese do mesmo nome, defendida na Universidade de Brasília, Centro de Desenvolvimento Sustentável e selecionado pelo seu conteúdo para integrar a Série BNB Teses e Dissertações de interesse para estudos da área. O prefácio é do orientador da tese, Prof. Dr. Marcel Bursztyn, da UnB, que já vem trabalhando com o semiárido há muitos anos, desde os preparativos para a escrita de seu livro “O Poder dos Donos”, em 1984. A discriminação do título dos capítulos traz uma idéia fdedigna do que seja o livro. Os capítulos, pela ordem, são: 1- Sertão: uma arena de confitos, um espaço para o encontro; 2 – o papel da modernidade na história do Sertão; 3 – Modernidade e Política no Ceará; 4 – Entra em cena o Desenvolvimento Sustentável; 5 – Da modernidade à sustentabilidade: os coronéis urbanos e as inovações no discurso político no Ceará; 6 – As Políticas e o uso político da água no Sertão; 7 – Bacia do Rio Banabuiú – um retrato do Sertão e Conclusões e Proposições. Assim, o livro é um apanhado exaustivo de tudo quanto se escreveu nos últimos anos sobre o sertão, especialmente no que se refere a seus recursos hídricos, precedido de um longo referencial sobre a ambiência confituosa da modernidade. Aqui, o leitor terá a oportunidade de ler, rever e aprofundar-se sobre novas interpretações de autores como Sachs, Lévinas, Capra, Hannah Arendt, Martin Buber, Elias, Enrique Left, Jodelet para fcar apenas com uns poucos e não aumentar a lista. Não é uma discussão pelo simples prazer de colocar autores conversando com autores, e sim refexão da lição proveniente deles, para o estudo do confito do Homem do Sertão. Estes autores são agora lidos à luz daqueles que vêm escrevendo direta ou indiretamente sobre o Sertão, como Faoro e Bursztyn (Poder), Freyre, Freire, Furtado, Garjulli e Campos (recursos hídricos) e tantos outros que discutiram a chamada modernidade, implementada politicamente nos últimos anos no Ceará e que, se alguma infuência teve no Sertão, foi para esvaziá-lo ainda mais em termos econômicos. Estas interpretações teóricas, baseadas em intensa literatura e na experiência da autora cuja família é nativa do Sertão explica a hipótese que move o trabalho. A assertiva de que “as ações do Estado têm causado uma desmobilização gradativa do Sertão”, pela perpetuação da pobreza e da dependência, pela desarticulação social e cultural do povo, ou ainda por ações indiretas que promovem o deslocamento de fato desse povo para outras regiões, notadamente para o meio urbano das capitais. O título é um alerta - O Sertanejo e o Caminho das Águas sugere o nomadismo contínuo do sertanejo em direção ao litoral. É como se ele fosse a água que rola do Sertão em busca de outras plagas. Este movimento tem uma série de confitos devidamente estudados no texto, na metodologia do mapa de atores numa arena, bem descrita por Nascimento e ajustada à epistemologia derivada das obras dos autores Arendt, Buber e Dowbor. O caso estudado está bem no Sertão Central do Ceará, na Bacia do Rio Banabuiú, palco de tantos confitos históricos e presentes. O confito em relação ao acesso à água se sobressai, na expressão da autora. Ela encontra ainda razões para constatar um confito bem maior e bem mais complexo do que aquele verifcado na superfície do confito das águas: o confito da identidade que foi retirada do sertanejo. Ser ou não sertanejo é um confito que se desenvolve historicamente e que, ao mesmo tempo, é infuenciado e infuencia as políticas públicas traçadas para o Sertão, como bem diz a autora.