EFICÁCIA DO ENXOFRE APLICADO VIA SOLO NO CONTROLE DA CIGARRA Quesada gigas (OLIVIER) EM CAFEEIRO Paulo Rebelles Reis; Pedro Paulo Reis Rebelles; Daniel Nascimento Mesquita; Marcelo Cláudio Pereira EPAMIG Sul de Minas/EcoCentro, Caixa Postal 176, CEP 37200-000, Lavras, Minas Gerais. Pesquisador do CNPq. E-mail: paulo.rebelles@epamig.ufla.br CropTest - Teste de Produtos Fitossanitários em Agricultura Ltda., Lavras, Minas Gerais. Apoio: Produquímica Agro A espécie de cigarra Quesada gigas (Olivier, 1790) (Hemiptera: Auchenorrynca, Cicadidae) é a mais comumente encontrada em cafeeiro (Coffea spp.). Suas ninfas móveis medem 20 a 30 mm de comprimento e atacam a raiz principal e as mais grossas do restante do sistema radicular do cafeeiro. Os adultos emergem no período compreendido entre o final de agosto e outubro. Os espécimes-fêmea, adultas aladas, põem os ovos, de coloração branco-leitosa e formato alongado, agrupados sob a casca dos ramos das plantas hospedeiras. Em poucos dias eclodem as ninfas, as quais, pendendo por um filamento que excretam, descem e penetram no solo, indo localizar-se nas raízes. Os orifícios feitos pelas pequenas ninfas móveis recém-eclodidas dos ovos, ao penetrarem no solo, são logo obstruídos devido apresentarem pequenos diâmetros. Nas raízes, as ninfas móveis, que possuem aparelho bucal sugador, começam a sugar a seiva, cujo excesso é expelido e serve para amolecer a terra, facilitando, assim, ao inseto, a abertura de uma cavidade (câmara, célula ou galeria), com as pernas anteriores, no sentido perpendicular ao ponto em que a larva se encontra. O cafeeiro suporta uma infestação aproximada de até 35 ninfas de Q. gigas por cova, devendo ser considerado este nível para a tomada de decisão do controle químico. O controle das cigarras é feito visando à redução das ninfas móveis no solo, e embora não morra a totalidade delas a população é reduzida a níveis suportáveis pelas plantas, sem que haja danos econômicos. O uso de inseticidas tem sido a única modalidade eficiente de controle, até agora conhecida, que reduz a população de cigarras. Foi objetivo deste trabalho testar o produto Sulfurgran ® (900 g i.a./kg - 90%) como fonte de enxofre no controle de ninfas de cigarras, quando aplicado no solo nas modalidades lançado na superfície e/ou incorporado ao solo sob a copa das plantas de cafeeiro, nas dosagens de 30, 60 e 90 kg do produto comercial por hectare em comparação com o Verdadero 600 WG (thiamethoxam 300 + cyproconazole 300) aplicado via drench no colo das plantas de cafeeiro, considerado padrão de controle neste experimento. Os produtos e dosagens aplicadas, modo de aplicação e número de aplicações encontram-se relatadas na Tabela 1. O experimento foi instalado no município de Lavras, estado de Minas Gerais,, em cafezal ‘Catuaí’ com 1 9 anos de idade, plantado no espaçamento de 3,70 x 0,80 m, com uma planta por cova. O levantamento inicial do número de ninfas móveis da cigarra por planta, em 12/11/2012, antes da aplicação dos tratamentos em 26/11/2012, mostrou que a infestação era homogênea e apresentava uma média de 21,8 ninfas por cova de uma planta na área experimental (Tabela 1). O tratamento padrão, Verdadero 600WG, foi aplicado via drench no colo dos cafeeiros, num volume de 50 ml de calda por planta e de um só lado, com um pulverizador costal manual dotado de lança longa e dosador. Os tratamentos com Sulfurgran ® foram feitos sobre o solo ou incorporados ao solo após aplicação em linha contínua sob a projeção da copa das plantas. Cada parcela foi composta de dez plantas, sendo as oito centrais a parte útil. O delineamento experimental foi o de blocos aos acaso com quatro repetições. A aplicação dos produtos foi feita no dia 26/11/2012, e a avaliação da eficiência foi feita através da abertura de trincheiras na região das raízes e feita a contagem das ninfas encontradas vivas, em duas plantas da parte útil de cada parcela. As amostragens foram feitas 30 dias após a aplicação dos produtos (30 DAA) em 03/01/2013, 60 DAA em 03/02/2013, 90 DAA em 03/03/2013 e 150 DAA em 03/05/2013. Os valores obtidos de número de ninfas vivas de cigarras por planta foram transformados em 5 , 0 x para análise da variância e as médias comparadas entre si pelo teste de Scott-Knott a 5% de significância. Resultados e conclusões Os resultados do número de ninfas vivas por cova de cafeeiro encontram-se apresentados na Tabela 1 e os da eficiência de controle na Tabela 2. Aos 30 dias após a aplicação dos tratamentos, em 03/01/2013, todos os tratamentos com a aplicação das diferentes dosagens do Sulfurgran 90 ® e do Verdadero 600 WG ® não diferiram significativamente entre si, quanto ao número de ninfas por cova, porém, diferiram significativamente da testemunha (Tabela 1), mas nenhum atingiu 80 % de eficiência, considerada como satisfatória neste experimento (Tabela 2). Os resultados, aos 60 dias após a aplicação dos tratamentos, em 03/02/2013, foram semelhantes aos obtidos aos 30 DAA, ou seja, todos os tratamentos diferiram significativamente da testemunha e não diferiram entre si (Tabela 1), porém, o Sulfurgran 90 ® já alcançou 85 % de eficiência na redução das ninfas da cigarra Q. gigas nas raízes dos cafeeiros quando foi incorporado ao solo (Tabela 2). Aos 90 dias após a aplicação dos tratamentos, em 03/03/2013, os resultados encontrados ainda eram favoráveis à maior dosagem do Sulfurgran 90 ® , quando incorporado ao solo, em relação às demais dosagens do mesmo produto e do Verdadero 600 WG ® (Tabela 1). Aos 150 DAA, em 03/05/2013, todos os tratamentos com as diferentes dosagens do Sulfurgran 90 ® e do Verdadero 600 WG ® não diferiram significativamente entre si, porém, diferiram significativamente da testemunha (Tabela 1), e todos alcançaram mais de 80 % de eficiência no controle das ninfas móveis da cigarra Q. gigas nas raízes dos cafeeiros (Tabela 2). A eficiência do Sulfurgran 90 ® amentou com o aumento da dosagem aplicada, resultado que ficou mais evidente principalmente aos 150 DAA (Tabelas 1 e 2). Tabela 1. Número de ninfas vivas da cigarra Quesada gigas por cova de cafeeiro em cinco avaliações, antes e aos 30, 60, 90 e 150 dias após a aplicação (DAA) dos tratamentos. Lavras, MG, 12/11/2012 a 03/05/2013.