Divisão de Ensino de Química da Sociedade Brasileira de Química (ED/SBQ) UFBA, UESB, UESC e UNEB XVI Encontro Nacional de Ensino de Química (XVI ENEQ) e X Encontro de Educação Química da Bahia (X EDUQUI) Salvador, BA, Brasil – 17 a 20 de julho de 2012. Especificar a Área do trabalho LC Estratégias de leitura na formação inicial em química: uma análise de dois casos a partir do uso de literatura científica Aline Araújo Dias Barros 1* (IC), Viviane Martins Garcia 1 (IC), Miyuki Yamashita 1 (PQ), Wilmo Ernesto Francisco Junior 2 (PQ) * alinediasbarros@gmail.com 1 Departamento de Química-Universidade Federal de Rondônia, BR 364, Km 9,5, 14801-970 Porto Velho/RO 2 Universidade Federal de Alagoas, Campus Arapiraca. Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática/UFAL. Palavras-Chave: Leitura, Escrita, Química RESUMO: Neste trabalho foram desenvolvidas atividades de leitura de textos científicos com o intuito de problematizar suas formas e as características da linguagem científica, visando aprimorar a capacidade de leitura de textos dessa natureza por alunos de graduação em Química. As atividades foram desenvolvidas com alunos de uma disciplina de Química Analítica Experimental de uma universidade federal. No presente relato, será descrito um levantamento inicial sobre o hábito de leitura desses estudantes, assim como resultados da leitura de resumos e um artigo científico. Os resultados mostraram que os alunos quase não conhecem textos científicos, apresentando dificuldades no reconhecimento das seções e da linguagem típicas de um texto científico. A partir da problematização dessas características, observaram-se melhoras na apropriação da linguagem científica. Entretanto, práticas de leitura e de produção de textos científicos mais constantes são necessárias durante o curso de graduação. INTRODUÇÃO Por vários anos, os pais vêm passando aos filhos a visão de mundo que os cerca, assim como a forma com que leem e interpretam o que está a sua volta. Também os educadores passam para os seus alunos a leitura de mundo que possuem. Todavia, em muitos casos, não se é observada e nem incentivada a importância dos próprios sujeitos da aprendizagem fazerem esse exercício. Para que possa ocorrer à leitura de mundo é indispensável à leitura da palavra, como afirma Freire (1997). Esses dois atos de leitura são defendidos por Francisco Junior e Garcia Junior (2010) como indicotomizáveis. Freire (1997, p. 20) ainda pontua que: “De alguma maneira, porém podemos ir mais longe e dizer que a leitura da palavra não é apenas precedida da leitura do mundo mas por uma certa forma de escrevê-lo ou de reescrevê-lo, quer dizer, de transformá-lo numa prática consciente.” Um leitor crítico que não apenas decifra códigos, mas sim analisa, reflete e age mediante a leitura que é feita. Para isso é necessário reconhecer palavras e colocá-las juntas para se conseguir textos significativos. Segundo Goodman (1987), ler, escutar, falar e escrever são processos psicolinguísticos. Ao ler são utilizados vários níveis do conhecimento linguístico, como o vocábulo e regras da língua, sendo essa a forma de expressar e um dos modos de identificar o que se sabe realmente sobre o processo de ler (KLEIMAN, 1989). Ler é buscar sentidos e significados no texto e o leitor deve ter um propósito para essa busca (GOODMAN, 1987; SOUZA; NASCIMENTO, 2006). A leitura implica em uma interação entre o leitor e o texto. As características do leitor são tão importantes para a leitura quanto às características do texto. Em consonância Kleiman (1989) sustenta o argumento que toda leitura é interpretação e o que o leitor é capaz de compreender e de aprender através da leitura, mas isso depende fortemente daquilo que o leitor conhece e acredita a priori. O conhecimento prévio utilizado na leitura é o conhecimento obtido ao longo da sua vida e, sem este dificilmente haverá