Caderno Pós Ciências Sociais - São Luís, v. 2, n. 3, jan./jun. 2005 53 INFÂNCIA NO CALEIDOSCÓPIO: desconstruindo conceitos, desestabilizando teorias Emilene Leite de Sousa* RESUMO Ao longo do tempo a infância tem sido pensada a partir de padrões idealizados pelas sociedades, que a tem definido como lugar de segurança e ludicidade, caracterizado pela não vivência do trabalho e pelo distanciamento do mundo e das tarefas dos adultos. Essa definição idealizada de infân- cia está distante da pluralidade de infâncias com que nos deparamos na sociedade atual, onde as crianças ocupam papéis e posições bastante diversificadas dependendo da cultura onde estão inseridas. Por essa razão, lanço luz neste artigo à construção histórica da infância, para percebê-la através de um caleidoscópio que permite um sem número de combinações obtidas a partir da disposição dos elementos culturais e, por isso, bastante particulares, variando de lu- gar para lugar, negando a morte da infância e evidenciando a pluralidade que lhe é devida. Palavras-chave: Infância, Pluralidade, Literatura Regional 1 SOBRE OS ESTUDOS DA INFÂNCIA Em se tratando de Antropologia, há grande carência de estudos que se dediquem à criança e, conseqüentemente, à compreensão da noção de infân- cia. Embora encontremos nas monografias clássicas da Antropologia – sobre o estudo das sociedades “primitivas” – referências à infância e a criança, estas só se fazem presentes por servirem como referencial para a compreensão da constituição do indivíduo adulto, nestas sociedades. ___________ * Mestre em Sociologia pela UFPB/UFCG, professora substituta do Dep. De Sociologia e Antropologia da UFMA