313 295 / REVISTA M. - ISSN 2525-3050 Rio de Janeiro, v. 7, n. 14, p. 295-313, jul./dez. 2022 313 295 Otávio Luiz Vieira Pinto* Universidade Federal do Paraná (UFPR) – Curitiba / PR, Brasil ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5628-3263 otavio.luiz@ufpr.br Pela vontade de Ahura Mazdā. Morte, monumentalidade e memória na necrópole aquemênida de Naqš-e Rostam RESUMO Este artigo objetiva compreender o papel político, religioso e simbólico das tumbas aquemênidas (século VI AEC – IV AEC) na necrópole de Naqš-e Rostam. A existência destes mausoléus indica que os governantes aquemênida decidiram não seguir a “ortodoxia zoroastrista” (a religião que possivelmente era professada pelos persas neste período), que estipulava um rito funerário baseado na escarnação do cadáver e não previa a cremação, o enterramento ou a construção de túmulos. Assim, é possível argumentar que as tumbas de Naqš-e Rostam foram projetadas como monumentos de cunho político e propagandístico, e não possuíam uma função unicamente espiritual. A análise desta necrópole levará em consideração o conceito de tecnologia de memória no contexto histórico iraniano, como proposto por Matthew Canepa, e a abordagem não- essencialista do zoroastrismo a partir de Philip Kreyenbroek. A partir deste trabalho investigativo conclui-se que, entre os aquemênidas, a monumentalização da morte visava criar uma memória atemporal da autoridade persa. Palavras-chave: Tecnologia de Memória; Monumentalização; Império Aquemênida; Naqš-e Rostam; Zoroastrismo * Doutor em Estudos Medievais pela University of Leeds, Reino Unido. Atualmente é professor de História da África no Departamento de História da UFPR e professor no Programa em Pós-Graduação em História da mesma instituição. CV: <http://lattes.cnpq.br/0807844065927125>