",9w Terra Estrangeira: "as cores do desterro" da era Coilor' Deiiise Lopes Universidade Federal Fluminense Apresentação Terra Estrangeira, realizado em 1995, foi o primeiro filme brasi- leiro da safra pós-Colior a colocar o dedo diretamente na ferida sobre a condição de estrangeiro em que nos encontrávamos logo após o iní- cio do governo ColIor, em 1990. Esse "estrangeirismo" de quem não se reconhece mais em seu próprio solo, não faz mais parte, não perce- be perspectivas de ser, brechas de se estar. será representado estetica- mente tio filme de diversas formas, mas, principalmente, através de urna belíssima fotografia em preto e branco de Walter Carvalho, que se insere, literalmente, quase que como mais um personagem, no con- texto do filme, preservando elementos ora amplos, ora dissonantes. como fornia de expor sentimentos de perda, vazio, delírio e desterro. A narrativa é, em tom poético, também fragmentada. E algumas des- tas primeiras medidas decretadas por Collor, como o confisco da pou- pança, anunciado de uni aparelho de tevê pela então Ministra Zélia Cardoso de Mello, vão mesmo servir de ponto de partida para o de- senrolar da história. A ponte, apresentada tio filme, com Portugal, nosso berço (quer queiram, quer não) de uma nova existência chamada "civilizada", dá a medida exata da busca por uni sentido, não mais numa terra ideali- zada, mas numa terra de despatriados. Uma busca histórica, de além- mar. Como se o filme quisesse tios dizer que, naquele niornento, era no estrangeiro que encontrávamos a forma mais razoável de dialogar com a dura realidade que tios era apresentada. Será assim, no exterior, com o olhar de quem está fora, que o filme irá tentar olhar e "ofere- cer" uma identidade. Unia identidade, que é vendida por 300 doláres, através do passaporte da personagem Alex (Fernanda Torres). Urna