1 FANFICS: UMA PRÁTICA DE ESCRITA NO CIBERESPAÇO* 1 Joyce Vieira Fettermann 1 Clesiane Bindaco Benevenute 2 Annabell D. R. Tamariz 3 Resumo: A forma de escrever e publicar conteúdo escrito tem passado por mudanças significativas a partir do advento das tecnologias digitais. Tais mudanças não se prendem apenas à forma digitalizada da escrita, mas se volta também ao seu conteúdo, para quem se escreve e porque se escreve. Nesse contexto, novas configurações são dadas ao uso da Língua, o que possibilita, dentre outros, novas perspectivas e novos comportamentos sociais. Pensando nisso, procura-se demonstrar como as fanfics - em uma tradução literal, “ficção de fã” - se caracterizam como uma construção textual que contribui com a criatividade e imaginação de seus autores. Este trabalho, portanto, constitui-se uma exposição da análise de duas das fanfics escritas pelos alunos de uma turma do terceiro ano do ensino médio de um Instituto Federal do Espírito Santo, correlacionando-as ao estudo de como a tecnologia tem servido de suporte para que a escrita seja cada vez mais abrangente. Este teve como objetivo demonstrar como os jovens têm se apropriado do gênero textual digital fanfics para construírem narrativas baseadas em obras ou personagens de que são fãs, sejam eles de séries, filmes, quadrinhos, vídeo games, músicas, entre outros, sem a intenção de comercializar os textos ou ferir direitos autorais. Conclui-se, que as fanfics podem incentivar a criatividade e a imaginação dos estudantes, permitindo-lhes exercitar suas leituras de mundo, a partir dos textos-base que os estimulam a escrever. Considera-se que suas preferências possibilitam que a escrita seja realizada com mais prazer. Palavras-chave: Fanfics. Leitura e produção textual. Retextualização. Introdução Por anos – e ainda hoje, quase na terceira década do século 21, há lastros desses hábitos – a língua portuguesa foi ensinada de modo mecânico e monótono. Mas isso não é exclusividade do ensino de português. Cecília Meireles, em sua crônica “Professores de inglês” (1967), critica a falta de ligação das aulas que frequentou com sua realidade. Ela queria ler poesias de ingleses que admirava, então resolveu começar os estudos da língua, mas o tempo que gastou tentando aprender foi um grande desafio, uma vez que o foco das lições eram as conjugações de verbos, as formas gramaticais, repetições enfadonhas e traduções que pouco colaboravam com seu aprendizado ou com a realização de seu sonho de ler em inglês, o que a motivou a buscar por outras fontes de conhecimento, contribuindo, assim, para o desenvolvimento de um perfil disciplinado e autodidata. Em contrapartida, aos 20 anos, Paulo Freire já inovava em seu modo de ensinar português, com uma abordagem que buscava privilegiar a curiosidade dos alunos “de maneira dinâmica e viva” (FREIRE, 1989, p.11). 1 *XIV EVIDOSOL e XI CILTEC-Online - Novembro/2018 - http://evidosol.textolivre.org 1 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF). Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Cognição e Linguagem (UENF). Campos dos Goytacazes, Brasil, e-mail: joycejvieira@gmail.com 2 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF). Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Cognição e Linguagem (UENF). Campos dos Goytacazes, Brasil, e-mail: clesiane@gmail.com 3 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF). Professora do Programa de Pós-graduação em Cognição e Linguagem (UENF). Campos dos Goytacazes, Brasil, e-mail: Annabell.brasil@gmail.com