51 setembro/September 2013 - Revista O Papel Technical Article / Peer-reviewed Article O PAPEL vol. 74, num. 9, pp. - SEP 2013 A EVOLUÇÃO DA INDÚSTRIA DE PAPEL GLOBAL Autores*: Jari Ojala,Juha 1 Juha-Antti Lamberg 2 Mirva Peltoniemi 3 Timo Särkkä 4 Miikka Voutilainen 5 * Referências dos autores: 1. Dr. Jari Ojala, Professor de História Comercial Comparativa, Departamento de História e Etnologia, Universidade de Jyväskylä, Finlândia 2. Dr. Juha-Antti Lamberg, Professor de Estratégia e História Econômica, Departamento de História e Etnologia, Universidade de Jyväskylä e Escola de Comércio e Economia de Jyväskylä, Finlândia 3. Dr. Mirva Peltoniemi, Academia de Membros de Pesquisas da Finlândia, Instituto de Estratégia, Escola de Ciência da Universidade de Aalto, Finlândia 4. Dr. Timo Särkkä, Academia de Pesquisadores da Finlândia – Pesquisador Pós-Doutorado, Departamento de História e Etnologia, Universidade de Jyväskylä, Finlândia 5. MA, MSc (Econ), MiikkaVoutilainen, Estudante de Doutoramento em História Econômica, Departamento de História e Etnologia, Universidade de Jyväskylä, Finlândia. Esta visão de conjunto se baseia nos seguintes artigos, publicados pela Springer em 2012, com a gentil permissão do editor: Lamberg, Juha-Antti, Ojala, Jari, Peltoniemi, Mirva and Särkkä, Timo, ‘Research on Evolution and the Global History of Pulp and Paper Industry: An Introduction’ [Pesquisa sobre a Evolução e a História Global da Indústria de Papel e Celulose: Uma Introdução], em Juha-Antti Lamberg, Jari Ojala, Mirva Peltoniemi and Timo Särkkä (eds.), The Evolution of Global Paper Industry 1800–2050: A Compara- tive Analysis. [A Evolução da Indústria de Papel Global, de 1800 a 2050: Uma Análise Comparativa]. Florestas Mundiais, Vol. 17. Dordrecht: Springer 2012, pp. 1–18; Ojala, Jari, Voutilainen, Miikka and Lamberg, Juha-Antti, The Evolution of the Global Paper Industry: Concluding Remarks [A Evolução da Indústria de Papel Global: Observações Finais] em Juha-Antti Lamberg, Jari Ojala, Mirva Peltoniemi and Timo Särkkä (eds.), The Evolutionof Global Paper Industry 1800–2050: A Comparative Analysis [A Evolução da Indústria de Papel Global, de 1800 a 2050: Uma Análise Comparativa].Florestas Mundiais, Vol. 17. Dordrecht: Springer 2012, pp. 345–363. RESUMO Supõe-se que as indústrias sigam um ciclo de evolução específco, caracterizado pelos estágios de nascimento, crescimento, maturidade e declínio, evidentes em números de empresas, volume de produção e atividade tecnológica. A indústria de papel e celulose não constitui exceção a esta regra. Muito pelo contrário. A história destas linhas de negócio parece seguir uma evolução dependente de uma traje- tória semelhante em qualquer país considerado. Condicionada pelo crescimento do mercado, pelos recursos e tecnologia disponíveis, a indústria de papel e celulose passou por estágios de crescimento, maturação e até mesmo declínio em numerosas economias maduras. CICLOS DE VIDA NA INDÚSTRIA DE PAPEL E CELULOSE A suposição subjacente à história econômica das indústrias é a natureza determinista do ciclo de vida da indústria, isto é, supõe-se que as indústrias sigam um ciclo de vida específco, caracterizado pelos estágios de nascimento, crescimento, maturidade e declínio, evidentes em números de empresas, volume de produção e atividade tecnológica. Num elevado nível de abstração, a evolução de qualquer indústria é uma função de mudanças na demanda de produtos pelo mercado, na tecnologia, no ambiente institucional circunjacente e nas soluções organizacionais. Uma nova indústria surge em conse- quência de uma oportunidade tecnológica que encoraja a entrada de um grande número de frmas. Quando o vencedor, isto é, o projeto dominante (Anderson e Tushman, 1990; Murmann e Frenken, 2006; Suarez, 2004) aparece, ocorre uma situação de falência em números de empresas (Klepper e Miller, 1995; Willard e Cooper, 1985). A se- guir, a indústria muda para uma era de modifcação incremental e estagnação em números de frmas (Abernathy, 1978; Kim e Pennings, 2009; Roy e McEvily, 2004). Ainda que haja uma concordância conceptual sobre os ciclos de vida das indústrias, com certos sistemas de avaliação, tais como número de frmas ativas (Hannan e Freeman, 1989; Klepper, 1996; 2002; Murmann, 2003; Nelson e Winter, 1982), estudos anteriores habitualmente se concentram na questão somente no nível de um país, analisando um ou diversos ramos da indústria. O nosso estudo sobre a história da indústria papeleira dos últimos 200 anos sugere que esses tipos de padrões evolucionários podem ser encontrados no caso desta indústria específca de uma série de países (Lamberg & al., 2006; Lamberg & al., 2012). A indústria papeleira esteve entre os negócios-chave para o de- senvolvimento econômico e social durante o período de industria- lização; pode-se sustentar que o papel foi mais importante para o crescimento econômico global do que a máquina a vapor – embora na história econômica usualmente se tenha dado ênfase a esta últi- ma (Kuisma, 2008). A indústria também passou por um rápido perí- odo de crescimento – pelo menos até a virada do milênio. Somente nos EUA, a capacidade total da indústria aumentou em 20% entre 1978 e 1992 (Pesendorfer, 2003). A indústria de papel e celulose passou por períodos de crescimen- to, maturação e declínio em diferentes segmentos, tecnologia e utili- zação de matérias-primas durante os últimos 200 anos. O desenvol- vimento tem sido relativamente incremental e previsível. Ainda que inovações de capital importância - tais como o início da produção mecânica de papel ou a introdução da fbra da madeira na qualidade de matéria-prima - tenham criado oportunidades revolucionárias de negócios, passaram-se décadas, mais do que apenas alguns anos, até que essas inovações de capital importância houvessem sido im- plementadas. Portanto, mudanças no domínio da indústria global têm sido lentas. Os primeiros países a passarem pela industrializa-