283 Revista de Ciências Militares, Vol. V, Nº 1, maio 2017 Resumo A Força Aérea Portuguesa (FAP) tem colocado grande empenho na prevenção de acidentes, mas terá conseguido uma redução signifcativa de acidentes com destruição de aeronave? O número de acidentes, por cada 10.000 horas de voo (HV), será semelhante ao de outras Forças Aéreas? Quais as causas destes acidentes? Esta investigação centrou- -se em torno da questão “Quais as causas dos acidentes com perda de aeronave, e em que medida tem sido efcaz a prevenção destes acidentes na FAP, em termos absolutos e comparativamente com outros operadores de referência?”. O campo de observação abrangeu a FAP e as Forças Aéreas Espanhola, Belga e Suíça. O período temporal analisado foi de 30 anos no caso da FAP e de 20 nas restantes Forças Aéreas. Nesta investigação conclui-se que embora na globalidade das ocorrências (incidentes e acidentes) na FAP, o fator humano contribua com um peso de 41%, verifca-se que no caso específco dos acidentes com perda de aeronave, os fatores humanos têm um peso de 60%. As causas dos acidentes com perda de aeronave têm sido combatidas efcazmente, resultando na diminuição nos últimos 30 anos do número de acidentes com perda de aeronave, por 10.000 HV, estando hoje a FAP, num nível de paridade (em número de ACIDENTES COM AERONAVES NA FORÇA AÉREA PORTUGUESA – EVOLUÇÃO DA EFICÁCIA DA PREVENÇÃO E CARATERIZAÇÃO DE CAUSAS Bruno Sertório Dias Marado Major Engenheiro Aeronáutico Mestre em Segurança e Defesa Instituto Universitário Militar (IUM) Investigador Integrado do Centro de Investigação e Desenvolvimento do IUM 1449-027 Lisboa, Portugal bsmarado@gmail.com Como citar este artigo: Marado, B., 2017. Acidentes com aeronaves na força aérea portuguesa – evolução da efcácia da prevenção e caraterização de causas. Revista de Ciências Militares, maio de 2017 V (1), pp. 283-307. Disponível em: http://www.iesm.pt/cisdi/index.php/publicacoes/revista-de-ciencias-militares/edicoes. AIRCRAFT ACCIDENTS IN THE PORTUGUESE AIR FORCE – TRENDS IN PREVENTION AND CAUSES CHARACTERISATION Artigo recebido em março de 2017 e aceite para publicação em maio de 2017