Uma situação sem precedentes? Temporalidades e políticas da “pior crise da saúde pública” no Rio de Janeiro An unprecedented situation? Temporalities and politics of the “worst public health crisis” in Rio de Janeiro Lucas Freire Programa de Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais, Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, RJ, Brasil No fnal de 2015, os médicos da rede estadual de saúde do Rio de Janeiro entraram em “estado de greve”, e o então governador, Luiz Fernando Pezão, decretou “estado de emergência”, dando início ao que inúmeros atores envolvidos na discussão classifcam como “a pior crise de saúde pública” vivenciada no estado. A partir do mapeamento de notícias de jornal, entrevistas públicas, comunicados, informes ofciais etc., pretendo discutir de que maneira se produziu certa defnição hegemônica da crise e como a declaração de uma “crise na saúde pública” é uma operação política-administrativa que serve a determinados propósitos. Ao olhar com um certo distanciamento para o passado, o presente e o futuro, construo um argumento que localiza a crise não apenas enquanto um projeto específco de “desmonte do SUS”, mas também como um elemento que caracteriza um modo de governo histórico no Brasil. Palavras-chave: Crise, Saúde, SUS, Administração pública. RESUMO Revista Antropolítica, v. 54, n. 2, Niterói, p. 361-384, 2. quadri., mai./ago., 2022 Recebido em 10 de março de 2021. Avaliador A: 25 de abril de 2021. Avaliador B: 04 de maio de 2021. Aceito em 01 de setembro de 2021.