Arq Ciênc Saúde 2007 jul-set;14(3):161-8 161 ARTIGO ORIGINAL Resumo Recebido em 24.11.2006 Aceito em 02.07.2007 Não há conflito de interesse Palavras-chave Abstract Keywords Projeto Hemiplegia – Um modelo de fisioterapia em grupo para hemiplégicos crônicos Project Hemiplegia – A model of group physical therapy of chronic hemiplegic patients Objetivo: Este trabalho teve por objetivo caracterizar os pacientes e as atividades realizadas no Projeto Hemiplegia, que consiste em encontros de portadores de hemiplegia para realização de fisioterapia em grupo. Método: A caracterização dos pacientes foi feita por meio da análise de seus prontuários e da aplicação da Escala de Equilíbrio de Berg (EEB), e a descrição do projeto pela análise da filmagem de 18 sessões do projeto. Resultados: Dos pacientes analisados 15 pertenciam ao sexo masculino e 4 ao feminino, com idade média de 59,63 ± 11,1 anos. O tempo médio de seqüela pós-AVC foi de 5,17 ± 3,92 anos. As médias alcançadas nas avaliações da EEB foram 43,00 ± 10,48 pontos na 1ª avaliação e 44,95 ± 9,69 pontos na 2ª avaliação. A análise comparativa entre as duas avaliações determinou que houve diferença estatística significativa entre elas (p<0,05). A conduta fisioterapêutica caracteriza-se pela utilização de exercícios ativos, alongamentos, exercícios de equilíbrio e coordenação e atividades lúdicas. Conclusão: O Projeto Hemiplegia demonstra que a terapia em grupo pode ser uma boa opção terapêutica capaz de impedir complicações que possam determinar uma maior deterioração da capacidade funcional e da dependência, também garante a manutenção ou melhora do equilíbrio, melhorando assim a qualidade de vida desses pacientes. Hemiplegia; Acidente Vascular Cerebral; Fisioterapia; Qualidade de Vida. Objective: The aim of this study was to characterize the patients and the physical activities performed in the Hemiplegia Project. This project consisted of a group of hemiplegic patients that get together to perform group physical therapy. Method: The profile of the patients was made through the analysis of their medical records and the use of Berg balance scale. The outline of the project was made by analyzing the recording images of 18 sessions of the program. Results: Of the 19 patients enrolled, 15 were male and 4 female. Mean age was 59.63 ± 11.1 years. The median known duration of sequela after a stroke (CVA) was 5.17 ± 3.92 years. The average scores reached in the BBS evaluations were 43.00 ± 10.48 points in 1 st evaluation and 44.95 ± 9.69 points in 2 nd evaluation. A comparative analysis was performed to test differences between the two evaluations. There were no significant statistical differences between the two evaluations (p £ 0.05). The average time of sequel after AVC was 5.17 ± 3.92 years. The physical therapy session is characterized for the use of active exercises, stretching, equilibrium and motor coordination exercises, and playful activities. Conclusion: The Hemiplegia Project demonstrates that the group therapy can be a good therapeutical option to prevent complications that may determine a much large deterioration of the functional capacity and the dependence. Also the group therapy assures the maintenance of the equilibrium or improves it, thus improving the quality of life of these patients. Hemiplegy; Cerebral Vascular Accident; Physiotherapy; Quality of Life. Augusto C. Carvalho 1 ; Luiz C.M. Vanderlei 1 ; Tânia C. Bofi 1 ; João D.A.S. Pereira 2 ; Vanessa A. Nawa 3 1 Docente do Departamento*; 2 Graduando do Curso*; 3 Fisioterapeuta* *Fisioterapia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista – Campus de Presidente Prudente/SP (FCT-UNESP) Introdução Nos últimos anos, a expectativa de vida da população tem aumentado significativamente, produzindo como conseqüência um aumento na população idosa tanto em países industrializados como naqueles em desenvolvimento 1 . Nos Estados Unidos se estima que por volta do ano de 2050 haja mais de 16 milhões de indivíduos acima de 85 anos 2 , e o Brasil no ano de 2025 provavelmente terá 32 milhões de habitantes com 60 anos ou mais 3 , o que o colocará entre as seis populações mais idosas do mundo, em número absolutos 4 . O aumento da vida média da população levou a um aumento crescente de pessoas portadoras de doenças crônicas, das quais se destacam as doenças coronarianas, a insuficiência cardíaca e as doenças cérebro vasculares (DCV) 5 , que constituem a terceira causa de morte no mundo, atrás somente das cardiopatias em geral e do câncer 6 . No Brasil as DCV representam a primeira causa de morte 7 .