Cienc Cuid Saude 2008 Out/Dez; 7(4):454-460 PERFIL DA TERAPIA ANALGÉSICA UTILIZADA NA DOR PÓS-OPERATÓRIA DE HEMORROIDECTOMIA Vanessa Cristina Moraes* Débora Ugayama Bassi** Daniela Ferreira Brandão*** Silvia Regina Secoli**** RESUMO O objetivo deste estudo foi analisar o perfil terapêutico dos medicamentos prescritos para pacientes hemorroidectomizados no período pós-operatório quanto à classificação terapêutica, ao tipo de regime analgésico e ao potencial para interação. O estudo, de caráter descritivo, foi realizado a partir de 246 prescrições médicas de pacientes adultos, hospitalizados no período de 2002 a 2004 em hospital privado da cidade de São Paulo. Para classificação terapêutica e analise do potencial interativo dos medicamentos utilizaram-se, respectivamente, o sistema Alfa e a literatura. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva. A casuística foi composta por 54,6% de pacientes do sexo feminino, cuja média de idade era 44,4 anos (dp±9,8). Os analgésicos (46,2%) e os agentes com ação no sistema digestório (46,1%) foram os mais utilizados, destacando-se a dipirona (83,7%) e a lactulose (70,3%). Para o controle da dor destacou-se o regime multimodal (88,6%) e a associação entre antiinflamatórios não-esteroidais (49,6%), Cerca de um terço dos medicamentos (38,5%) apresentou potencial interativo, sendo os inibidores enzimáticos (60%) os mais freqüentes. O conhecimento do perfil farmacológico dos medicamentos é essencial para evitar respostas iatrogênicas nos pacientes, principalmente quando expostos a polifarmácia. Palavras-chave: Dor Pós-operatória. Interações de Medicamentos. Analgésicos. INTRODUÇÃO A dor pós-operatória (PO) é o tipo mais prevalente de dor aguda, sendo considerada componente crítico do conforto global do paciente. A despeito de representar uma conseqüência imediata e inevitável do estimulo causado pelo procedimento cirúrgico, suas repercussões somáticas e psíquicas encontram-se direta ou indiretamente relacionada à morbidade, e às vezes, à mortalidade (1-2) . Desta forma, o controle ou alívio da dor PO, além de trazer vantagens para os pacientes e suas famílias, reduz a incidência de complicações, a permanência hospitalar e, em conseqüência, os custos correspondentes. Além disso, a rápida recuperação da capacidade produtiva do paciente diminui o ônus social dessa entidade nosológica (3-4) . Para o manejo da dor PO, a Organização Mundial de Saúde (OMS), recomenda a analgesia multimodal, com a combinação de analgésicos e, às vezes, adjuvantes, com o objetivo de bloquear a geração, transmissão e interpretação do estímulo doloroso (3-5) . Assim, as prescrições da terapia analgésica são, freqüentemente, compostas por medicamentos de ações diferentes e adaptadas às necessidades de cada caso, respeitando-se a intensidade da dor, as contra-indicações peculiares de cada paciente e as características farmacológicas de cada agente. As classes de analgésicos mais empregadas no controle da dor PO são os antiinflamatórios não-esteroidais (AI) e os analgésicos opióides (AO). Os AIs são constituídos por um grupo heterogêneo de agentes que diferem quanto à estrutura química, farmacocinética, reações adversas, custos e potência analgésica e antiinflamatória, especialmente. O efeito analgésico e antiinflamatório, particularmente nas situações de lesão tecidual, tipo trauma ____________________ * Aluna de graduação em Enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, (EE/USP). Bolsista de iniciação cientifica da FAPESP. E-mail: vc_moraes@hotmail.com ** Aluna de graduação em Enfermagem da EE/USP. Bolsista de iniciação cientifica da FAPESP. E-mail: deborabassi@hotmail.com *** Farmacêutica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Especialista em Farmácia Hospitalar pelo Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. E-mail: danbrandao@hotmail.com **** Enfermeira. Doutora. Professora do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da EE/USP. E-mail: secolisi@usp.br