Scientia Forestalis 931 Sci. For., Piracicaba, v. 43, n. 108, p. 931-941, dez. 2015 DOI: dx.doi.org/10.18671/scifor.v43n108.17 Formas de raridade de árvores em fragmentos de Floresta Ombrófila Mista no sul do Brasil Forms of rarity of trees in Araucaria forests in Southern of Brazil Tiago de Souza Ferreira¹, Pedro Higuchi², Ana Carolina Silva², Adelar Mantovani, Amanda Koche Marcon¹, Bruna Salami¹, Francieli de Fátima Missio¹, Fernando Buzzi Junior³, Marco Antonio Bento³ e Roni Djeison Ansolin³ Resumo Neste estudo, objetivamos identifcar as formas de raridade e suas proporções entre as árvores da Flo- resta Ombrófla Mista. Elaboramos uma matriz vegetacional de abundância de espécies a partir de 11 unidades amostrais distribuídas em diferentes fragmentos na porção sul do Planalto Catarinense. Em cada unidade amostral contamos e identifcamos todas as árvores que apresentaram diâmetro à altura do peito (DAP) ≥ 5 cm. Para encontrar as espécies pertencentes a cada classe de raridade, bem como as comuns, utilizamos uma grade de descritores que classifcou as espécies em quatro categorias: C= eurioicas não- -escassas; R1= eurioicas escassas; R2= estenoicas não-escassas; R3= estenoicas escassas. Nossos resultados demonstraram que das 142 espécies analisadas, 92 (64,79%) foram eurioicas não-escassa (C). Cinco espécies (3,52%) foram classifcadas na forma de raridade R1, 31 (21,83%) na forma de raridade R2 e 14 (9,86%) na forma R3. O condicionante mais importante da raridade foi a preferência por habitat, ou seja, espécies estenóicas, representadas nas formas de raridade R2 e R3. As espécies classifcadas na forma de raridade R3 são as que mais necessitam esforços e medidas de conservação.. Palavras-chave: Espécies Raras; Floresta com Araucária; Conservação. Abstract This study aimed to identify the forms of rarity and their proportions among trees of Araucaria Forest. We developed an abundance matrix of species from sampling units distributed through 11 different fragments in the southern plateau portion of Santa Catarina state. In each sampling unit we counted and identifed all the trees that presented diameter at breast height (DBH) ≥ 5 cm. We used a grid of descriptors to fnd the species belonging to each rarity class, which classifed the species into four categories: C= non- scarce euryecious; R1= scarce euryecious; R2= non-scarce stenoecious; R3= scarce stenoecious. Our results showed that from 142 species analyzed, 92 (64.79%) were non-scarce euryecious (C). Five species (3.52%) were classifed in the form of rarity R1, 31 (21.83%) in the form of rarity R2 and 14 (9.86%) in the form of rarity R3. The main conditioning factor of the rarity was the habitat preference, i.e., stenoecious species, represented in the forms of rarity R2 and R3. The species classifed in the form of rarity R3 are the ones that most need efforts in conservation. Keywords: Rare species, Araucaria Forest, Conservation. ¹Mestrando(a) do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal. UDESC – Universidade do Estado de Santa Catari- na – Centro Agroveterinário. Av. Luiz de Camões, 2090 – Conta Dinheiro – 88520-000 – Lages, SC. E-mail: tiagoferreira@ florestal.eng.br; amandamarcon@yahoo.com.br; brunaflorestal@yahoo.com.br; franmissio@yahoo.com.br ²Professor Associado do Departamento de Engenharia Florestal. UDESC – Universidade do Estado de San- ta Catarina – Centro Agroveterinário. Av. Luiz de Camões, 2090 – Conta Dinheiro – 88520-000 – Lages, SC. E-mail: higuchip@gmail.com, carol_sil4@yahoo.com.br, a2ama@cav.udesc.br ³Graduando em Engenharia Florestal. UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina – Centro Agrovete- rinário. Av. Luiz de Camões, 2090 – Conta Dinheiro – 88520-000 – Lages, SC. E-mail: buzzifjr@hotmail.com; marco_a_bento@hotmail.com; roni_ansolin@hotmail.com INTRODUÇÃO O fenômeno biológico da raridade tem ganhado maior notoriedade nos últimos anos tais como (RABINOWITZ, 1981; KRUCKEBERG; RABINOWITZ, 1985; RABINOWITZ et al., 1986; KATTAN, 1992; GASTON, 1994; PITMAN et al., 1999; YU; DOBSON, 2000; CAIAFA; MARTINS, 2010), espe- cialmente pelo fato da raridade ter sido reconhecida como preditora de vulnerabilidade e precurso- ra à extinção (GOERCK, 1997).