Cienc Cuid Saude 2008 Abr/Jun; 7(2):241-247 ________________ *Assistente-Social. Mestranda do Programa de Mestrado Profissionalizante em Saúde e Gestão do Trabalho, da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). **Enfermeira. Doutora. Professora da UNIVALI. ***Acadêmica de Enfermagem da UNIVALI. Bolsista PIBIC/2007/2008. VISITA DOMICILIAR: TECNOLOGIA PARA O CUIDADO, O ENSINO E A PESQUISA Wanda de Oliveira Lopes* Rosita Saupe** Aline Massaroli*** RESUMO A visita domiciliar é uma prática antiga na área da saúde, e atualmente, está sendo resgatada em função das novas políticas públicas, que incentivam maior mobilidade do profissional. Mobilidade quer dizer o profissional deixar de ficar esperando as pessoas adoecerem e procurarem recursos, e atuar em seu entorno, detectando necessidades, promovendo saúde e cuidado. Nesta perspectiva a visita domiciliar pode ser considerada como um dos eixos transversais do sistema de saúde brasileiro, que passa pela universalidade, integralidade e eqüidade. Pode ser compreendida como um método, uma técnica e um instrumento. Como método se inscreve nas possibilidades das abordagens qualitativas; como técnica requer a interação e a comunicação como fundamentos; e como instrumento faz uso do planejamento e do registro. Exige plena concordância do usuário e estabelecimento de relação fundamentalmente orientada pelo diálogo e pela ética. Este artigo, embasado na literatura e na experiência das autoras, propõe um conceito, um método e um instrumento, e sustenta as possibilidades de uso da visita domiciliar como tecnologia para o cuidado, o ensino e a pesquisa em saúde. Palavras-chave: Visita Domiciliar. Tecnologia. Pesquisa. Ensino. Assistência à Saúde. INTRODUÇÃO O interesse em elaborar este artigo partiu da proposição de um projeto de pesquisa, originário de necessidade detectada no território de sua realização, quando optamos por utilizar a visita domiciliar como técnica para a coleta de dados. Em meio à busca por literatura para embasamento teórico sobre este tema, tão utilizada pelas mais diversas profissões, especialmente na área da saúde, deparamo-nos com a carência de fontes específicas que dessem conta de elucidar tal temática em todos os aspectos que necessitávamos esclarecer. Em face deste quase-vazio detectado na literatura e de nosso propósito de responder ao objetivo de contribuir para a construção de conhecimento em relação ao tema, abordamos a visita domiciliar a partir da trajetória histórica do conceito; seguimos evidenciando suas possibilidades como tecnologia para o cuidado, o ensino e a pesquisa, e concluímos apresentando um conceito e um modelo para sua concretização. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Os maiores problemas de saúde que os homens têm enfrentado sempre estiveram relacionados com a natureza da vida em comunidade. Na Grécia (443 a.C.) encontramos relatos de médicos que percorriam as cidades prestando assistência às famílias, de casa em casa, orientando-as quanto ao controle e à melhoria do ambiente físico, provisão de água, alimentos puros, alívio da incapacidade e do desamparo (1) . Entre os anos de 1854 e 1856, em Londres, anteriormente ao surgimento das enfermeiras visitadoras, a prática da visita domiciliar era realizada por mulheres da comunidade, sem muita instrução, que recebiam um salário do Estado para educar as famílias carentes sobre os cuidados de saúde. Elas eram chamadas de visitadoras sanitárias e a Sociedade de