V.12, nº1, p.04-24, nov./fev. 2019. 4 ARTIGOS O Dark Side no Setor Rural: um panorama das condições de trabalho análogas à escravidão no Brasil Mirelle Simões de Aguiar 1 Bethânia Alves de Assis 2 Marilene Olivier Ferreira de Oliveira 3 Duarte de Souza Rosa Filho 4 Danilo Alves Duarte 5 RESUMO O presente trabalho teve por objetivo apresentar um panorama do trabalho escravo rural contemporâneo no Brasil, com base em estatísticas elaboradas a partir das fiscalizações dos Auditores Fiscais do Trabalho, do então Ministério do Trabalho (MTb), nos anos de 2015, 2016 e 2017. Assim, utilizou-se uma abordagem quali-quantitativa por meio das pesquisas documental e bibliográfica. Os dados foram coletados em arquivos digitais do MTb, fomentados pelas auditorias realizadas pelos fiscais governamentais. O pano de fundo teórico teve início com os conceitos do Dark Side, complementados pela dimensão jurídica dos danos (materiais, morais e existenciais) e pela teoria da Sociedade Disciplinar elaborada por Foucault em sua obra Vigiar e Punir. Os dados quantitativos foram organizados em tabelas, utilizando-se cálculos percentuais, que consolidam os resultados das fiscalizações. Ao final foram encontrados diversos tipos de danos ao trabalhador escravizado, listadas as consequências das ações dos auditores e feita uma analogia com a Sociedade de Controle. Verificou-se que as características do Dark Side em relação aos trabalhadores em situação análoga à escravidão, foram diferentes da proposta feita para as organizações em ambientes urbanos, construindo-se, então, uma estrutura específica para o segmento em questão. PALAVRAS-CHAVE: Dark Side. Trabalho escravo. Setor rural. Atuação do setor público. 1 Mestranda em Gestão Pública pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Especialista em Direito Civil pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais 2 Mestranda em Gestão Pública na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Especialista em Direito do Trabalho, Processual do Trabalho, Previdenciário. 3 Doutora em Administração pela Universidade de São Paulo. Professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). 4 Doutor em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). 5 Mestrando em Gestão Pública pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).