Revista Sul-Americana de Filosofia da Educação – RESAFE___________________ 41 Número 13: novembro/2009 – abril/2010 Sobre ensino, aprendizagem e resistência na aula de Filosofia do Ensino Médio 1 Elisete M. Tomazetti 2 Resumo Este texto traz algumas reflexões que foram produzidas a partir da interação com professores e futuros professores de Filosofia do Ensino Médio. Procura problematizar os discursos por eles produzidos, os quais indicam a falta de sentido e a impossibilidade de realizarem práticas docentes que efetivem o envolvimento do aluno com a atividade de pensar filosoficamente. Toma como referência o conceito de resistência, de Michel Foucault. Primeiras aproximações Na ordem da instituição escolar, considera-se que o conhecimento deve ser ensinado, esteja o aluno interessado ou não; deseje ou não aprender. O professor tem a tarefa de ensinar ao aluno, que “talvez” aprenda, já que pode haver ensino sem aprendizagem, assim como pode o aluno aprender sem o ensino do professor. O objeto desse ensino é a herança cultural acumulada, que deve ser repassada às gerações mais jovens, sob pena de ser esquecido o passado e a tradição. Essa herança foi sendo transformada em disciplinas e, após ter passado por um processo de seleção e transposição, foi catalogada como currículo. O aluno foi sendo constituído como aquele sujeito que se coloca em uma posição de espera em relação ao que deverá fazer, ouvir, ler, estudar e responder ao professor. A escola moderna constituiu-se, então, como um lugar para o qual crianças e jovens são enviados ano após ano para serem transformados em alunos e disciplinados naquilo que a sociedade definiu como necessário para a formação de seus cidadãos. Essa escola, ao longo do tempo, produziu subjetividades acopladas a um tipo-ideal moral (Jorge Ramos do Ó, 2007, p. 39) definido pelo discurso pedagógico, estatal, bem como pelas práticas sociais. Esta subjetivação constitui sujeitos para a máquina social vigente. Por sua vez, o professor exerce seu ofício, interrogando apenas aquilo para o que já tem respostas em seu caderno, e a escola vai delimitando, então, para alunos e professores, sobre o que efetivamente significa pensar. Com o recente retorno da Filosofia como disciplina obrigatória do currículo do Ensino Médio brasileiro 3 , muito tem sido dito e escrito por pesquisadores da área, professores e futuros professores de Filosofia, no sentido de alertar para que essa volta signifique de fato algo novo e com valor para a escola, professores, alunos e sociedade. Há, em muitos casos, uma idealização de que a disciplina Filosofia possa resolver ou amenizar os problemas que