BANDIA, Paul. O conceito bermaniano de “estrangeiro” sob o prisma da tradução pós-colonial. Belas Infiéis, Brasília, v. 9, n. 1, p. 205-221, 2020. Traduzido por: Andressa Franco OLIVEIRA, Maria Angélica DEÂNGELI. 205 O CONCEITO BERMANIANO DE ESTRANGEIROSOB O PRISMA DA TRADUÇÃO PÓS-COLONIAL 1 BERMANS TRIALS OF THE FOREIGN AND POSTCOLONIAL TRANSLATIONS Paul BANDIA * Concordia University, Canada Traduzido por: Andressa Franco OLIVEIRA ** Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Brasil Maria Angélica DEÂNGELI *** Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Brasil Resumo: O conceito bermaniano de a prova do estrangeiroé particularmente capaz de elucidar e explicar a prática tradutória pós-colonial. A escrita literária em línguas europeias na África é caracterizada pela vernaculização e pela diglossia literária como estratégia de escrita em um contexto de comunicação intercultural. O emprego de línguas coloniais suscita questões de identidade e de ideologia, assim como o problema das relações de poder entre o centro e a periferia. A estratégia de desterritorialização e de reterritorialização, frequentemente utilizada por escritores pós-coloniais para tentar se reapropriar da língua colonial e reivindicar seu espaço próprio, é um exemplo do que Berman chama de a escrita-de-tradução. Esse estilo de escrita tem fundamentos ideológicos e socioculturais e coloca questões importantes relativas às escolhas tradutórias, questões às quais apenas se pode esperar responder por meio de uma ética séria e global da tradução. As teorias pós-modernas podem contribuir para a definição de um quadro ético da tradução que permite se distanciar da dicotomia presente na base de grande parte das teorias em tradutologia e que opõe a tradução estrangeirizadora à tradução domesticadora. Palavras-chave: Antoine Berman. Pós-colonialismo. Teorias pós-modernas. Vernaculização literária. Ética da tradução. Abstract: Antoine Berman’s concept of “the trial of the foreignhas proven particularly useful inelucidating and accounting for postcolonial translation practice. African European-language writing is characterized by the practice of vernacularization and literary diglossia as a writing strategy in what is generally an intercultural communication context. This raises questions of identity and ideology with respect to the use of colonial languages, as well as issues of power relations between the center and the periphery. The strategy of deterritorializing and reterritorializing often used by postcolonial writers as an attempt to reappropriate the colonial language and thus claim their own space is an example of what Berman refers to as “writing as translation”. This style of writing, heavily grounded in ideological as well as sociocultural considerations, raises some serious questions about translation choices which can only be addressed through a sound and comprehensive ethics of translation. Postmodern theories can help us define an ethics framework for translation which will allow us to move away from the binary opposition, or the dichotomy, of foreignist versus domesticating translation that has been at the basis of much theorizing in translation studies. Keywords: Antoine Berman. Postcolonialism. Postmodern theories. Vernacularization. Ethics of translation. RECEBIDO EM: 8 de novembro de 2019 ACEITO EM: 17 de dezembro de 2019 PUBLICADO EM: janeiro de 2020