337 Pesquisando com mulheres: ferramentas metodológicas inter(in)ventivas e interseccionais Conceição Nogueira Ingrid Sampaio de Sousa Larissa Ferreira Nunes Lúcia Maria Bertini João Paulo Pereira Barros Discussões sobre gênero não são novidades, pois, ao longo do último século da história da sociedade ocidental, diferentes teorias e/ou movimentos feministas têm problematizado conceitos como mulher, sexualidade e, posteriormente, gênero, para além de questionarem a cultura patriarcal e sexista, buscando igualdade e equidade. Contudo, não podemos universalizar esses ativismos - políticos, teóricos ou da rua - posto que, desde os anos 1970/1980, diferentes perspectivas epistemológicas associadas aos estudos de gênero e, posteriormente, ainda com mais ênfase, teóricas feministas negras, com o conceito de interseccionalidade, têm apresentado discussões pertinentes sobre os essencialismos identitários e categóricos dentro dos movimentos sociais e intelectuais (CARNEIRO, 2003; LIMA, 2018; RIBEIRO, 2018). O feminismo negro é uma corrente teórica, política e prática proposta por mulheres negras que pensam um novo marco civilizatório imbricado ao antirracismo, ao anticapitalismo e ao antisexismo como reformulação da sociedade e, dessa maneira, buscam a ampliação do que é reconhecido por ser humano (LUGONES, 2014; RIBEIRO, 2018). Segundo Akotirene (2018, p. 18), “o projeto feminista negro desde sua fundação trabalha o marcador racial para superar estereótipos de gênero, privilégios de classe, cisheteronormatividades articuladas em nível global.”