41 Bol. Bot. Univ. São Paulo, São Paulo, v. 29, n. 1, p. 41-45, 2011 FLORA DA SERRA DO CIPÓ, MINAS GERAIS: CUNONIACEAE 1 JOSÉ RUBENS PIRANI* & NEUZA MARIA DE CASTRO** * Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, Rua do Matão, 277, 05508-900 - São Paulo, SP, Brasil. ** Instituto de Biologia, Universidade Federal de Uberlândia, Caixa postal 593, Rua Ceará, Bloco 2D, Umuarama, 38400-902 – Uberlândia, Minas Gerais, Brasil. Abstract – (Flora of Serra do Cipó, Minas Gerais: Cunoniaceae). The study of the family Cunoniaceae is part of the project "Flora of Serra do Cipó, Minas Gerais, Brazil". In that area, the family is represented by the following species: Lamanonia grandistipularis (Taub.) Taub., L. ternata Vell., and Weinmannia discolor Gardner. Keys to the genera and species, descriptions and illustrations, as well as comments on the geographic distribution and variability of the species are presented. Key words: Cunoniaceae, taxonomy, Serra do Cipó floristics, campo rupestre. Resumo – (Flora da Serra do Cipó, Minas Gerais: Cunoniaceae). O presente estudo das Cunoniaceae é uma contribuição ao projeto “Flora da Serra do Cipó, Minas Gerais, Brasil”. A família é representada na área por três espécies: Lamanonia grandistipularis (Taub.) Taub., L. ternata Vell. and Weinmannia discolor Gardner. São apresentados chaves para os gêneros e espécies, descrições, ilustrações e comentários sobre distribuição geográfica, hábitat, fenologia e variabilidade morfológica. Palavras-chave: Cunoniaceae, taxonomy, Serra do Cipó, florística, campo rupestre. Cunoniaceae Árvores ou arbustos. Folhas geralmente opostas, compostas digitadas ou pinadas, raramente unifolioladas, margem geralmente serreada ou denteada; estípulas presentes, geralmente interpeciolares (soldadas aos pares). Inflorescências terminais ou axilares, às vezes caulifloras, panículas, tirsóides (neste caso podendo ser pseudorracemos) ou capítulos, raramente flores isoladas. Flores actinomorfas, diclamídeas ou mais raramente monoclamídeas, geralmente bissexuadas; sépalas 3- 5(10), livres ou às vezes soldadas na base, imbricadas ou valvares; pétalas 3-5(10), em geral menores que as sépalas, livres ou às vezes unidas na base, imbricadas ou valvares, ausentes em alguns gêneros; estames numerosos ou o dobro das sépalas, livres, filetes alongados maiores que as pétalas; anteras bitecas, rimosas; disco nectarífero anular ou em lobos, às vezes ausente; ovário súpero ou ínfero, sincárpico, geralmente 2-5-locular, circundado pelo disco; óvulos 1-muitos por lóculo, geralmente em 2 séries, placentação geralmente axial; estiletes livres, geralmente divergentes. Fruto geralmente cápsula, raramente indeiscente; sementes freqüentemente aladas, pilosas ou glabras. Família de 27 gêneros e cerca de 300 espécies, distribuídas na América do Sul e América Central, sul da África, Madagascar, ilhas do Oceano Índico, Malásia e Austrália (Bradford et al. 2004). Apenas dois gêneros ocorrem no Brasil. Bibliografia básica: Bernardi 1961; Bradford et al. 2004; Cuatrecasas & Smith 1971; Engler 1871, 1930; Mesquita et al. 2003; Smith 1958; Zickel & Leitão-Filho 1993. Chave para gêneros 1. Folhas ternadas a palmadas; pétalas ausentes; estames numerosos; cápsula pubérula a serícea; sementes aladas glabras ................................................................................................................. ................... 1. Lamanonia 1’. Folhas simples ou imparipinadas; pétalas presentes; estames 8-10; cápsula glabra; sementes não- aladas pilosas ................................................................................................................................................. 2. Weinmannia _________________________ 1 Trabalho desenvolvido conforme o planejamento apresentado por Giulietti et al. (1987).