9 Produção de biogás a partir de dejetos da pecuária leiteira Marcelo Henrique Otenio; Juliana Alves Resende*; Claudio Galuppo Diniz*; Vânia Lúcia da Silva*; Marlice Teixeira Ribeiro; Junior César Fernandes Lima; Jailton da Costa Carneiro. (*Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF) O aproveitamento de dejetos da bovinocultura leiteira para a geração de biogás é uma oportunidade para os produtores e para a cadeia de valor do leite. O avanço da pecuária leiteira para criações dos animais em sistemas de confinamento ou semiconfinamento tende em aumentar o volume de dejetos gerados. Além da grande quantidade produzida, estes constituem biomassa passível de uso para geração de energia e fertilização de culturas vegetais, reduzindo o uso de fontes convencionais de energia e fertilizantes comerciais. Com a biodigestão anaeróbia (BA) dos dejetos, pode-se alcançar a otimização do recurso alimentação, reciclando seu valor energético e seus nutrientes que permanecem no ciclo biogeoquímico do sistema de produção de leite, favorecendo a sustentabilidade. A atual perspectiva de esgotamento das reservas de fontes energéticas de origem fóssil, e as previsões de mudanças climáticas do último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o uso da biomassa como insumo energético vem ganhando importância na discussão sobre o desenvolvimento de alternativas para uma matriz energética mundial mais sustentável. Um dos processos de conversão energética da biomassa é a biodigestão anaeróbia, que é um processo natural de fermentação no qual bactérias anaeróbias produzem metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2) a partir de matéria orgânica complexa, não estéril. O manejo inadequado dos dejetos, ricos em matéria orgânica e agentes patogênicos, causa poluição de águas superficiais e subterrâneas, devido ao carreamento desse material pela ação das chuvas. Portanto, a biodigestão anaeróbia é uma alternativa para o tratamento de resíduos, pois além de minimizar o potencial poluidor e dos riscos sanitários dos dejetos ao mínimo, promove a geração do biogás, utilizado como fonte de energia alternativa. A biodigestão anaeróbica permite a reciclagem do efluente, que pode ser utilizado como biofertilizante. Os dejetos, quando manejados de forma adequada, torna o produtor rural autossuficiente em energia elétrica e recupera o capital investido na implantação do biodigestor. O tempo de retorno dos investimentos pode ser reduzido se o biofertilizante produzido no biodigestor for aproveitado para fertirrigação, viabilizando ainda mais o uso da tecnologia. Biodigestão anaeróbia em escala real A Embrapa desenvolve, o projeto “Produção de energia elétrica a partir de dejetos gerados na pecuária leiteira”. Este projeto tem financiamento do CNPq, FAPEMIG e da Embrapa e é realizado em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Universidade Estadual Paulista (UNESP) Campus Jaboticabal e das empresas de Extensão Rural, EMATER – MG, PR e Incaper – ES. O destaque da proposta é com um tratamento adequado conseguir a sustentabilidade ambiental e econômica da pecuária leiteira nacional. Na Fazenda Experimental da Embrapa, em Coronel Pacheco – MG, está em operação um biodigestor em escala real, modelo canadense operado em sistema contínuo para realização do acompanhamento do processo e de experimentos. Os dejetos utilizados para abastecimento do biodigestor (afluente) são provenientes da lavagem dos pisos do “ free stall” do sistema de produção “Genizinha”, com média de 148 animais no verão e 121 animais no inverno. O processo inicia -se com a lavagem dos pisos dos “free stall”, com água proveniente de um córrego, essa água é direcionada para um tanque