A Seca em Quadrinhos: Análise imagética da Tradução Intersemiótica do Sertão Nordestino de Vidas Secas e O Quinze João Gabriel Carvalho Marcelino 1 RESUMO Esta pesquisa apresenta discussões sobre a Tradução Intersemiótica do sertão descrito nas obras Vidas Secas (1938), de Graciliano Ramos, e O Quinze (1930), de Rachel de Queiroz, em suas respectivas adaptações para histórias em quadrinhos. Para a realização da pesquisa se estabelecem os objetivos específicos: i) Identificar como ocorre a tradução de elementos do sertão nordestino associados a seca da linguagem verbal para a linguagem não verbal; ii) Descrever os elementos do sertão nordestino traduzidos, omitidos ou modificados na tradução intersemiótica; e iii) Discutir as representações visuais do sertão nordestino e suas implicações. Metodologicamente se apresenta um estudo descritivo sobre as obras e suas traduções, ancorado nas teorias da Tradução Intersemiótica (JAKOBSON, 2004 1959; PLAZA, 2013), Teoria da Adaptação (HUTCHEON, 2013), estudos sobre o Sertão (WANDERLEY; MENEZES, 1996) e entre outros. Com a pesquisa é possível observar que as escolhas de elementos visuais atrelados ao sertão realizadas no processo de tradução intersemiótica e adaptação, carregam significados que reforçam ou aprofundam a ideia da seca resultante dos longos períodos de estiagem do Nordeste brasileiro, enfatizando a seca e as dificuldades enfrentadas pelos personagens da narrativa. PALAVRAS-CHAVE: Adaptação; Graciliano Ramos; Rachel de Queiroz. 1 Introdução Este artigo tem o objetivo de discutir a Tradução Intersemiótica do Sertão Nordestino descrito nas obras Vidas Secas (1938), de Graciliano Ramos, e O Quinze (1930), de Rachel de Queiroz, em suas respectivas adaptações para histórias em quadrinhos. A partir das obras de Ramos e Queiroz, é possível observar a relevância do sertão nordestino para as narrativas posicionadas na geração de 30 do Modernismo Brasileiro. Ambas as narrativas possuem o sertão como espaço que orienta a vida das personagens, devido ao baixo índice de chuvas e a vida no campo. O Quinze (1930) apresenta dois núcleos, o primeiro orientado ao Vaqueiro Vicente e sua prima Conceição, e o segundo à família de retirantes de Chico Bento. A narrativa se passa durante a grande seca de 1915, retratando a viagem do grupo de retirantes do logradouro próximo a Quixadá, até Fortaleza, no Ceará. Enquanto transita entre a viagem dos retirantes e a vida na seca no logradouro, a narrativa ainda mostra a recepção dos retirantes em Fortaleza, assim como os encontros e desencontros, perdas e lutos que a viagem condiciona os retirantes. Vidas Secas (1938), por sua vez, narra a vida da família de retirantes composta por Fabiano, Sinha Vitória, o Menino mais velho, o Menino mais novo e Baleia no sertão alagoano. A família de retirantes é apresentada em uma narrativa cíclica com narração onisciente, ao longo da narrativa, o leitor observa que o ciclo da seca do sertão nordestino orienta a vida das personagens, definindo quando elas podem 1 Doutorando em Estudos da Tradução (PPGET/UFSC), Mestre em Linguagem e Ensino (PPGLE/UFCG), Licenciado em Letras (FASETE/UNIRIOS). Joaogabrielcarvalho@hotmail.com