620 Braz. J. vet. Res. anim. Sci., São Paulo, v. 43, n. 5, p. 620-628, 2006 Origem do plexo lombossacral de mocó (Kerondo rupestris) 1 - Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, São Paulo-SP 2 - Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal-RN 3 - Departamento de Ciência Animal da Escola Superior de Agricultura de Mossoró, Mossoró-RN Procássia Maria de Oliveira LACERDA 1 Carlos Eduardo Bezerra de MOURA 2 Maria Angélica MIGLINO 1 Moacir Franco de OLIVEIRA 3 José Fernando Gomes de ALBUQUERQUE 3 Correspondência para: PROCÁSSIA MARIA DE OLIVEIRA LACERDA Departamento de Cirurgia Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia Universidade de São Paulo Av. Prof. Dr. Orlando Marques de Paiva, 87 05508-270 - São Paulo - SP procassia@usp.br Recebido para publicação: 07/10/2004 Aprovado para publicação: 13/07/2005 Resumo O mocó (Keredon rupestris), é um roedor da fauna silvestre brasileira, pertencente à família dos cavídeos, e da subfamília caviinae. No Brasil, o mocó já vem sendo criado em cativeiro com o objetivo de fornecer alimento, manter a espécie e proporcionar o desenvolvimento de pesquisas voltadas ao conhecimento mais aprofundado desta espécie. Nossa pesquisa visa conhecer a origem e os nervos resultantes do plexo lombossacral deste animal, fornecendo subsídios indispensáveis para o estudo da anatomia comparativa, especialmente dos mamíferos Silvestres. Foram utilizados 10 animais adultos de diferentes idades provenientes do Centro de Multiplicação de Animais Silvestres da ESAM (CEMAS-ESAM). Foram fixados em solução aquosa de formal a 10% durante 48 horas, realizou-se dissecação de cada antímero a fim de expor os nervos através da retirada dos músculos psoas maior e psoas menor, cujos resultados foram registrados através de desenhos esquemáticos e imagens fotografadas. Observaram-se variações no número de vértebras lombares e sacrais destes animais, alterando a relação entre os nervos que dão origem ao plexo lombossacral que apresentou três tipos diferentes de constituição. As raízes ventrais originando-se a partir dos três últimos nervos lombares e dos três primeiros nervos sacrais correspondeu a 80% dos exemplares estudados, onde o tipo II (L 5 ,L 6 L 7 ,S 1, S 2 e S 3 ). foi o mais comumente encontrado (50%) das amostras. Os nervos considerados originários do plexo foram o Femoral, obturatório, isquiático, glúteo cranial, glúteo caudal e pudendo. Palavras-chave: Anatomia. Plexo lombossacral. Mocó. Animais silvestres. Introdução Nos últimos anos, tem-se notado um aumento considerável na criação de animais silvestres com potencialidade para serem explorados na produção de alimentos, principalmente nas regiões tropicais e subtropicais do nosso planeta. Estes animais silvestres constituem uma fonte de proteína animal natural e renovável 1 . Os roedores da fauna nordestina, em especial o mocó ( Kerodon rupestris) , apresentam inúmeras características biológicas desejáveis à domesticação, tais como a reprodução em cativeiro, hábito gregário, poligamia, prolificidade, sociedade e docilidade, além de possuir uma carne saborosa, muito apreciada pelos sertanejos. A longevidade do mocó em cativeiro mostra que por 11 anos, o animal consegue sobreviver comportando-se socialmente e formando grupos familiares 2,3 . Este roedor, pertencente à família dos cavídeos, e da subfamilia caviinae, possui habitat mais especializado em relação às outras formas de caviinaes, e ao gênero Kerodon, que se assemelha muito aos gêneros Cavia e Galea. É um animal rupícula,