AS PESQUISAS SOBRE A PR ATICA DE ENSINO DE SURDOS Carla Cazelato Ferrari Pontif ıcia Universidade Cat olica de S~ ao Paulo, PEPG em Educac ß ~ ao: Hist oria, Pol ıtica, Sociedade. Bolsista CNPQ Palavras-chave: Surdez, Escolarizac ß ~ ao, Pratica de ensino. Este estudo busca compreender a maneira como as pesquisas, sobre pr atica de ensino de surdos, se mostram e por quais mecanismos e sutilezas. Para a an alise partiu-se de um conjunto de 643 pesquisas que tratam da educac ß ~ ao de surdos, constantes no que compunham o Banco de Teses e Dissertac ß ~ oes da Coordenac ß ~ ao e Aperfeic ß oa- mento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), no per ıodo de 1987 a 2010. Foram selecionados, com base no que os autores declararam em seus resumos, 292 trabalhos que faziam menc ß ~ ao a escola como campo empírico. Dentre esses, foram selecionadas cinco pesquisas, as quais declararam valer-se da aula, como fonte empírica. Para nor- tear a organizac ß ~ ao e an alise dos dados coletados foram utilizadas as reflex ~ oes te oricas da relac ß ~ ao entre escola e cultura (WILLIAMS, 2011) e as dife- rentes dimens ~ oes da pr atica escolar (GIMENO, 1999). Introduc ß~ ao Com o intuito de apresentar alguns dados e algumas reex~ oes relativos a produc ß~ ao de conhecimento sobre a educac ß~ ao de pessoas surdas no Brasil, este escrito tem por objetivo identicar e analisar as tend^ encias investiga- tivas no campo da pratica de ensino do alunado surdo, buscando compreender a maneira como as pesquisas se mostram e por quais mecanismos e sutilezas. Nesse sentido, as produc ß~ oes investigativas do pa ıs, com tematica na educac ß~ ao de surdos, foram utilizadas como fonte de dados do estudo, tendo como base o Banco de Teses e Dissertac ß~ oes da Coordenac ß~ ao e Aperfeic ßoamento de Pessoal de N ıvel Superior (CAPES), no per ıodo de 1987 a 2010. Foi levantado um conjunto de 643 pesqui- sas, das quais somente 292, que se referiam a educac ß~ ao surdos, apresentaram em seus resumos utilizar como campo emp ırico: a escola. A primeira delimitac ß~ ao dos dados se deu pelo campo emp ırico a que essas pesquisas se debruc ßaram: a escola. Aqui entendida como um grupo social composto por certa organizac ß~ ao e estrutura, cuja exist^ encia depende, antes de mais nada e essencialmente, das atividades associadas de seus membros professores e alunos.(ZNANIECKI, 1964, p.106) Surge, ent ~ ao, a inquietac ß~ ao sobre o que se investiga nesse campo Tabela 1. Na Tabela 2, verica-se que as tematicas das pesquisas s~ ao variaveis e abordam sobre pol ıtica, aspectos cl ınicos, fam ılia, trabalho, tecnologias. De maneira mais relevante, tem-se a doc^ encia e o proprio aluno como temas signi- cativos nas discuss~ oes sobre a educac ß~ ao de surdos. Porem, a linguagem e a escola s~ ao as tematicas de maior destaque, citadas em 128 e 122 resumos, respectivamente. Considerando a possibilidade de ressaltar at e duas temati- cas para cada pesquisa, evidencia-se que ambos os assun- tos (linguagem; escola) somam mais de 50% das citac ß~ oes. A relevante incid^ encia, de estudos que relacionam surdez a escola e a linguagem, n~ ao e por acaso. Historicamente estiveram inter-relacionadas as instituic ß~ oes especializadas, consideradas refer^ encia no atendimento e educac ß~ ao de surdos, como o Instituto Nacional de Educac ß~ ao de Sur- dos (INES), no Rio de Janeiro, e o Instituto Educacional S~ ao Paulo da Divis~ ao de Educac ß~ ao e Reabilitac ß~ ao dos Disturbios da Comunicac ß~ ao (IESP-DERDIC) dentre outros. Segundo Bueno (1993) na Europa do seculo XVIII, a educac ß~ ao especial de decientes auditivos j a confundia metodologia de ensino com processos de reabilitac ß~ ao da linguagem. Ao que se v^ e tal confus~ ao parece permanecer. Ali as, conserva-se n~ ao somente como pratica institucio- nal, como tambem perspectiva de estudo. E poss ıvel veri- car em outra vertente de estudos (SKLIAR, 1998) discuss~ oes sobre o ouvintismono ensino especializado, como pratica opressora de reabilitac ß~ ao de uma l ıngua que n~ ao e natural ao surdo, a l ıngua portuguesa falada. No entanto, a mesma perspectiva defende um processo de ensino bil ıngue, no qual a crianc ßa surda, lha de pais ouvintes ira aprender a l ıngua brasileira de sinais na escola. Altera-se a modalidade lingu ıstica, mas a ideia de que a escola tem como tarefa a habilitac ß~ ao da linguagem, permanece. ª 2016 NASEN 167 Journal of Research in Special Educational Needs Volume 16 Number s1 2016 167–171 doi: 10.1111/1471-3802.12279