63 A NOVA ONDA DA IMIGRAÇÃO BRASILEIRA EM PORTUGAL: NOTAS FINAIS Duval Fernandes João Peixoto Andrea Poleto Oltramari RESUMO O início da década de 2020 assinalava novo patamar da migração de brasileiros para Portugal. O volume e a diversidade sempre crescentes indicavam que a composição dessa nova onda migratória apresentava características distintas das precedentes. Apesar da predominância da migração laboral, novas estratégias, facilitadas por alterações na legislação migratória portuguesa, permitiam conciliar a formação acadêmica, a migração estudantil, com a busca por trabalho. Investidores e aposentados passavam também a compor o quadro dos imigrantes: os primeiros ocupando lugar de destaque dentre os imigrantes de todas as nacionalidades que obtêm o visto de residência permanente, e os últimos, pouco visíveis para as entidades que auxiliam os imigrantes e para as autoridades brasileiras em Portugal. No entanto, quase todos relatavam episódios de intolerância, alguns explícitos e outros menos evidentes. Esse processo vinha tomando fôlego depois de ultrapassada a crise financeira portuguesa de 2011-2014, beneficiando-se do crescimento gradual da economia. Ele foi, porém, fortemente impactado pela chegada da pandemia do Covid- 19, que fez refluir essa nova onda pelas medidas sanitárias adotadas em um processo que, em 2020, fechou as portas à imigração e fez desaparecer a nova onda que tomava corpo. Por essa razão, em lugar de notas preliminares esse texto trata da conclusão de um processo que, ao final da pandemia poderá ser retomado. Palavras-chave: Migração internacional; Imigrante brasileiro; Migração laboral; Estratégias migratórias; Portugal. INTRODUÇÃO A história das migrações entre Portugal e Brasil tem sido longa e variada. Mais de cinco séculos de relações entre os dois territórios, contextos políticos e administrativos diversos, ciclos de expansão e retração econômica sucessivos, complexas redes sociais entre os dois países, inserção num sistema mundial comum tornam os fluxos migratórios nos dois sentidos muito complexos e diversos, testemunhos de épocas históricas que se vão sucedendo. A noção de sistema migratório já foi por mais de uma vez utilizada (BAGANHA, 2009; MARQUES; GÓIS, 2011; SANTOS, 2016; PEIXOTO, 2018) para explicar a riqueza e o potencial sempre renovado dos movimentos de pessoas entre os dois países. Algumas vezes os fluxos são abundantes, outras mais reduzidos; por vezes dirigem- se mais ao Brasil, outras, a Portugal. Mas, ao longo do tempo, não desapareceram. Programa de Pós-graduação em Geografia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. E-mail: duval@pucminas.br Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa. E-mail: jpeixoto@iseg.ulisboa.pt Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E-mail: andreaoltr@gmail.com