Liinc em Revista, Rio de Janeiro, v.10, n.2, p. 742-745, novembro 2014. http://www.ibict.br/liinc 742 RESENHA Resenha do livro EDMONDSON, Ray. Filosofia e princípios da arquivística audiovisual . Trad. Carlos Roberto de Souza. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Preservação Audiovisual/Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 2013. 224p. Fabián Núñez RESENHA A tradução da obra de Edmondson cumpre um importante papel no Brasil, carente de publicações em Português na área de preservação audiovisual. Foi movida por esse propósito que a Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA) optou por esse texto para iniciar as suas publicações. Poderíamos dizer que se trata de um livro de referência, desde a sua concepção. Editado sob os auspícios da UNESCO e da CCAAA 1 , seu objetivo é assentar as bases de uma reflexão específica para um campo subestimado do ponto de vista teórico, tanto pelos estudos de audiovisual quanto pela ciência da informação. Originalmente publicado em 1998, ganhou uma segunda edição revista e ampliada em 2004. Ray Edmondson é, atualmente, um dos principais nomes da arquivística audiovisual, área na qual trabalha desde 1968, tornando-se diretor-adjunto da National Film and Sound Archive da Austrália, desde a sua fundação em 1984 até 2001. Graças a seu importante papel na área, tanto na ação institucional quanto no campo teórico, atua junto à UNESCO e a outras entidades internacionais. O livro é dividido em sete capítulos (Introdução; Fundamentos; Definição e Terminologia; Arquivos Audiovisuais; Preservação: características e conceitos; Princípios de gestão e Ética - além da Conclusão), organizados em subcapítulos, com parágrafos numerados, o que auxilia uma leitura objetiva de acordo com a intenção de ser uma referência teórica. É justamente por essa vocação que a obra foi selecionada pela ABPA, pois visa, acima de tudo, estabelecer conceitos e definições para uma área desprovida, até então, de reflexão teórica. Como frisa o autor, ao longo do século passado, a arquivística audiovisual se consolidou de modo empírico, baseando-se em outras disciplinas e seguindo tradicionalmente uma divisão por produção ou mídia. Esse é um ponto fundamental, uma vez que o teórico australiano considera o profissional que atua em um arquivo audiovisual como uma “profissão de direito próprio”, independentemente de reconhecimento oficial e/ou acadêmico mundo afora. Em suma, não se trata, em seus termos, de um “subconjunto especializado de uma profissão já existente”, como outras profissões relacionadas à arquivística clássica, embora esteja intrinsecamente relacionada com elas. Universidade Federal Fluminense (UFF), Doutor em Comunicação. Endereço profissional: Rua Prof. Lara Vilela, 126 - São Domingos. CEP 24210-590. Niterói-RJ. Telefone: (21) 2629-9761 1 Co-ordinating Council of Audiovisual Archives Associations, fórum internacional que reúne as principais associações da arquivística audiovisual.