ARJ | Brasil | V. 2, n. 1 | p. i-iv | jan. / jun. 2015 GUBERNIKOFF; MOREIRA | Dossiê Música e a crise da contemporaneidade Carole Gubernikoff Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO, Brasil carole.gubernikoff@gmail.com Adriana Lopes Moreira Universidade de São Paulo – USP, Brasil adrianalopes@usp.br Durante muitos anos considerou-se que havia uma crise da modernidade na área de música. Mas, o que seria a crise da modernidade se não a efervescência e a dispersão? O desenvolvimento da música moderna conduziu às questões que explodiram com a multiplicidade estética e com o experimentalismo da segunda metade do século XX. Entretanto, desde a década de 1980 observa-se um refluxo das radicalidades. No século XXI, encontramos um campo aberto. Por um lado, a expansão do campo musical com a sonologia cria uma dupla dificuldade: ou seu conceito é menos extenso que o conceito de música, um caso do campo musical; ou é mais extenso que a música, sendo ela apenas um caso no campo das artes sonoras multiexpressivas, no mundo globalizado da comunicação e da informática. Por outro lado, a música de concerto parece querer retomar seu sentido antigo, buscando uma expressividade que hoje consideram abandonada desde a modernidade. Consequentemente, essa busca se reflete nos estudos musicológicos. Partindo do princípio de que a música é uma forma de ação comunicativa ou expressiva, as teorias analíticas recentes voltam-se da observação estrutural para a hermenêutica, passando a pensar a música no amplo contexto da história, da cultura e da subjetividade. Se a análise musical dos anos 1960 a 1980 foi considerada a base da compreensão musical, entende-se hoje que a compreensão musical deva ser a base - e o limite - da análise.