HUMANIZAR OU BUROCRATIZAR (?): ARQUEAMENTO DAS EMBARCAÇÕES EMPREGADAS NO TRANSPORTE DE CATIVOS DE ANGOLA E COSTA DA MINA PARA A CAPITANIA DE PERNAMBUCO EM FINS DO SÉCULO XVIII Erykles Natanael de Lima Vieira Mestrando PPGH-UFCG eryklesufcg@gmail.com Resumo: Este trabalho visa problematizar as narrativas sobre a lei das Arqueações de 1684 empregado no transporte de pessoas escravizadas levadas dos portos de Angola e Costa da Mina para a Capitania de Pernambuco, no final do século XVIII. Esta lei regulamentava a quantidade de pessoas escravizadas que poderiam ser transportadas a partir da capacidade de cada embarcação. Para esse trabalho foram usadas fontes arroladas e disponibilizadas digitalmente pelo Arquivo Histórico Ultramarino Português. Utilizou-se ofícios do Governador de Pernambuco Luís Diogo Lobo da Silva enviado ao Secretário do Conselho Ultramarino. O conceito de Estratégia e Tática postulados por Michel de Certeau (1998) permeiam toda discussão. A metodologia utilizada foi a análise documental. Conclui-se que o processo de implantação da lei das arqueações visava um maior controle da coroa sobre o transporte de escravos que busca por mais recursos em impostos; a lei das arqueações não era seguida em sua plenitude e gerava insatisfação por parte dos mercadores e autoridades de Pernambuco. Houve, então, por parte dos mercadores de escravos, uma transgressão da lei o que ocasionou maior superlotação dos navios e, consequentemente, péssimas condições de transporte. Palavras-chave: Arqueação, Transporte de Escravizados, Século XVIII. 1. Historiografia da escravidão, Arqueações e burocracia Esse estudo visa pensar sobre a legislação portuguesa que normatizava o comércio de pessoas escravizadas entre a África e o Império Português, mas vamos, particularmente, nos debruçar sobre o emprego dessa legislação no caso das embarcações que iam da Capitania de Pernambuco para os portos de Angola e Costa da Mina na metade do século XVIII. Além disso, vamos debater sobre as narrativas que estavam por traz do emprego dessa legislação das arqueações, como era assim chamada a lei que regulamentava o transporte de escravizados. Para tal feito, esse estudo utilizou fontes arroladas do Arquivo Histórico Ultramarino Português disponível através do Catálogo Geral dos Manuscritos Avulsos e em Códices referente à Escravidão Negra, projeto financiado pela Petrobrás e coordenado