ANOMALIAS NO RIO JACARÉ-PEPIRA (SP) E SUA CORRELAÇÃO LITO- ESTRUTURAL 105 REVISTA GEONORTE, Edição Especial 4, V.10, N.1, p.105- 110, 2014. (ISSN 2237-1419) ANOMALIAS NO RIO JACARÉ-PEPIRA (SP) E SUA CORRELAÇÃO LITO- ESTRUTURAL Valezio, E.V. 1 ; Perez Filho, A. 2 ; 1 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS Email:evertonvalezio@ige.unicamp.br; 2 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS Email:archi@ige.unicamp.br; RESUMO: Influências litológicas e estruturais são significativas na conformação dos canais fluviais e no entendimento de sua dinâmica. Perfis longitudinais, conciliados à aplicação do índice de gradiente (RDE - Relação Declividade x Extensão) ao longo do rio Jacaré Pepira (SP), permitiram identificação de knickpoints, níveis de base efêmeros presentes no canal fluvial, evidenciando a busca permanente por estabilidade, tendo em vista os diferentes substratos por que percorre. PALAVRAS CHAVES: Geomorfologia Fluvial; Perfil Longitudinal; Índice de Gradiente ABSTRACT: Lithological and structural influences are significant for the shaping of fluvial channels and for the understanding of its dynamics. Longitudinal profiles combinated to the application of stream gradient index along the Jacaré-Pepira river, state of São Paulo, Brazil, allowed identification of knickpoints, ephemeral base levels presents in the fluvial channel, highlighting the permanent search for stability, considerating the different substrates by which the river travels. KEYWORDS: Fluvial Geomorphology; Longitudinal Profile; Stream-Gradient Index INTRODUÇÃO: Na Geomorfologia, parâmetros morfométricos são utilizados de forma a viabilizar quantitativa e elucidativamente o ajuste das formas aos sistemas naturais. Os perfis longitudinais, cuja discussão remonta os trabalhos de Mackin (1948), Leopold & Wolman (1957), Hack (1957), Christofoletti (1977, 1981), Howard (1980), Sinha & Parker (1996), Whipple & Tucker (1999) e Phillips & Lutz (2008), caracterizar-se-ia, conforme aponta Christofoletti (1981), como a relação direta entre as variações de altimetria e de comprimento longitudinal do canal fluvial, da nascente à foz. Constitui, portanto, a “forma esculpida diretamente pela morfogênese fluvial” (CHRISTOFOLETTI, 1977, p. 97). Etchebehere et al. (2004) destacam que tal representação morfométrica aponta curvas de conformação logarítmica, concavidades voltadas para cima e assíntotas longas, sendo que, quanto mais equilibrado o canal fluvial, mais ajustado a esta descrição estará o perfil. O índice de gradiente (Stream Gradient Index), proposto por Hack (1973), permite a correlação do substrato litológico e/ou à incidência de movimentações crustais na conformação de patamares ao longo dos canais fluviais. Segundo Etchebehere et al. (2004), a relação declividade x extensão possibilita a análise dos perfis longitudinais pelo