80 e-scrita ISSN 2177-6288 V. 7 – 2016.3–SOARES, Marcelo P. e-scrita Revista do Curso de Letras da UNIABEU Nilópolis, v.7, Número 3, setembro-dezembro, 2016 LISBOA PRESENTE E DISTÓPICA EM UM CONTO DE RUBEN A. Marcelo Pacheco Soares 1 RESUMO: O artigo promove a leitura do conto “Verde”, de Ruben A., publicado em 1960, a partir de um contexto artístico marcado pelo advento das ficções futurísticas distópicas do século XX e sob conceitos sócio-filosóficos que descrevem as sociedades contemporâneas como espaços de disciplina e de controle. Para tanto, delimita-se previamente o mecanismo sob o que se constrói a narrativa distópica novecentista. Palavras-chave: conto português; ficção científica; sociedades de controle. DYSTOPIAN AND PRESENTE LISBOA IN A TALE OF RUBEN A. ABSTRACT: The article promotes reading of Ruben A.’s tale “Verde”, published in 1960, from an artistic context marked by the advent of futuristic dystopian fictions of the twentieth century and in socio-philosophical concepts that describe the contemporary societies as spaces of discipline and control. Therefore, it delimits a prior mechanism under which builds the dystopian narrative 1900s. Key words: Portuguese tale; science fiction; control societies. Quando, no fim da década de 1920, Hugo Gernsback cunhou o termo science fiction, em revista criada por ele para se dedicar ao gênero, o editor americano procurava um rótulo que abrangesse determinadas obras que, no século XIX, nascidas sob a influência dos avanços tecnológicos, elegiam a ciência como leitmotiv dos enredos nelas desenvolvidos. Desse modo, romances baseados em pesquisas científicas então atuais, como os de Júlio Verne por exemplo, outros de cunho mais fantasioso, como os de W. G. Wells, e ainda o próprio Frankenstein de Mary Shelley, que precede a todos, poderiam ser (e foram; e, mesmo, ainda são) etiquetados, mais ou menos pioneiramente, sob essa denominação de Gernsback. Constatamos assim que estarão sob o guarda-chuva da ficção científica textos na verdade muito diversos. Nossa atenção no presente ensaio se restringe ao comportamento de obras do gênero que possuam natureza futurista, isto é, aquelas que proponham a construção de um hipotético porvir, abalizadas, contudo (e oportunamente), por elementos do tempo presente. A 1 Doutor e Mestre em Literatura Portuguesa pela Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Professor efetivo de Língua Portuguesa e Literatura do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, RJ, Brasil, marcelo.soares@ifrj.edu.br.