ANÁLISE DE DESEQUILÍBRIO DE TENSÃO PARA SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA NÃO CONVENCIONAL Eduardo Giuliani * , Aécio de Lima Oliveira * , Ghendy Cardoso Junior * , Gustavo Marchesan * , Leonardo de Freitas Silveira * and Gilberto Davi Nunes Filho † * Universidade Federal de Santa Maria - UFSM Centro de Excelência em Energia e Sistemas de Potência - CEESP Santa Maria, RS, Brasil Email: giulianiedr@gmail.com † Companhia Estadual de Energia Elétrica - CEEE Porto Alegre, RS, Brasil Email: gilberto.nunes@ceee.com.br Resumo—This work presents an accurate method for the calculation of the compensating impedances for an uncoventional three-phase rural distribution network using two overhead wires and the ground for energy transmission. This system is referred as T2F scheme, which is an inherently unsymmetrical 3-phase system. The paper deals with the compensating method using a series impedance in the earth return path and a shunt capacitance connected between the two wires. A simulation study in MATLAB/Simulink was conducted in a medium voltage radial distribution system to verify a need of compesating impedances by analysing of unbalaced voltages and voltage drop. This study shows that the system is capable of operating within the unbalancing factor standards and voltage drops limits, as seen in the simulations results. Keywords – unconventional distribution line, unbalanced voltages, compensating impedance. I. I NTRODUÇÃO O setor rural demanda aumento na oferta de potência elétrica trifásica, pois os sistemas monofásicos já exauriram sua capacidade. A demanda reprimida na área rural é motivo de preocupação não apenas do estado do Rio Grande do Sul (RS), mas também de todo o Brasil e até mesmo de outros países. Os sistemas monofásicos mais utilizados para alimentar pequenas cargas localizadas em zonas rurais são os sistemas monofilar com retorno pelo neutro (MRN) e monofilar com retorno por terra (MRT). A grande difusão dessas técnicas se deve ao baixo custo de ferragens, cruzetas, isoladores e con- dutores necessários para a criação da rede de distribuição. O MRN é composto de um condutor fase e um neutro, enquanto o MRT é composto de apenas uma fase aérea. O condutor do MRT deriva de uma das fases de um tronco trifásico de distribuição, que por sua vez, origina em uma subestação com transformador ligado em delta-estrela aterrado. Ambos os sistemas possuem baixo custo global visto que fusíveis e para-raios somente são ligados ao condutor fase [1]. Posteriormente foram desenvolvidas alternativas de distri- buição de energia elétrica em locais geograficamente isolados aproveitando as estruturas de linhas de transmissão de alta tensão. Os precursores que propuseram um sistema de para- raios energizados (PRE) podem ser vistos na integra em [2]. Ainda em [2] um sistema piloto foi implementado em Gana e era baseado na isolação e energização do cabo para-raio de uma linha de transmissão de 161 kV, cabo esse energizado a partir de um sistema monofásico de 34,5 kV solidamente aterrado e utilizando o solo como caminho para as correntes de retorno. Posteriormente, os mesmos autores conceberam outras alternativas de transmissão de energia elétrica baseadas no PRE, como em [3][4][5]. No Brasil, o sistema PRE trifásico foi implementado em Rondônia, viabilizada por meio de um convênio entre as Centrais Elétricas do Norte do Brasil (ELETRONORTE) e as Centrais Elétricas de Rondônia. Os dados de operação do sistema PRE Rondônia foram analisados em [3]. Esses dados permitiram concluir que o esquema PRE trifásico é uma alternativa válida para promover a universalização da energia elétrica, permitindo o fornecimento de energia elétrica a pe- quenas comunidades ou pequenas cargas localizadas próximas aos corredores das linhas de transmissão, cujo atendimento através de meios convencionais é proibitivo sob o ponto de vista econômico. O advento de novas tecnologias no campo, bem como o crescente aumento de máquinas agrícolas impuseram ao pro- dutor rural uma maior demanda de energia elétrica. Esse fato motivou [6] a proporem um sistema trifásico como alternativa de substituição de rede aérea de média tensão monofásicas por uma nova rede trifásica. Quando aplicado em ramais do tipo MRT, existe a necessidade de lançamento de um condutor adicional, adição de um transformador monofásico isolador e substituição do transformador monofásico existente por um transformador trifásico com ligação delta-aterrado/estrela- aterrado para viabilização da topologia proposta. https://doi.org/10.53316/sepoc2021.040