O Digital e o Currículo 337 O AMBIENTE MOODLE NO APOIO A SITUAÇÕES DE FORMAÇÃO NÃO PRESENCIAL Ana Paula Alves Esc. E.B. 2,3 Francisco Sanches apaulaaalves@sapo.pt Maria João Gomes Universidade do Minho mjgomes@iep.uminho.pt Resumo Neste texto descreve-se uma experiência de utilização da MOODLE, uma plataforma (open source) de gestão de aprendizagens com grande utilização a nível mundial num contexto de suporte à componente não presencial de uma acção de formação contínua de professores. No texto apresentam-se os principais resultados do estudo realizado o qual assumiu um carácter exploratório e descritivo, adoptando como principais instrumentos de recolha de dados um questionário elaborado para o efeito e os registos automáticos efectuados pelo próprio sistema. A terminar apontam- se algumas das limitações deste estudo e desenham-se perspectivas para o desenvolvimento futuro de outros projectos de investigação neste domínio. Abstract In this paper we describe an experience of using MOODLE, an open source learning management system, as an online support tool of a teacher’s in-service training initiative. We describe the main data from this descriptive and exploratory study. The data were collected using a questionnaire which was answered by 18 of the 21 teachers involved in this training initiative. Some of the data originates from the automatic logs generated by the learning management platform. We refer in the text to some of the limitations of this study and we present some perspectives for future research projects in this same domain. 1. TIC na educação – competências para os professores. O documento “Estratégias para a acção – As TIC na educação” (NÓNIO, 2002) reconhece a importância das tecnologias da informação e comunicação na sociedade actual e reflecte sobre o desafio que neste domínio é colocado ao sistema educativo e aos professores que o integram: “Uma sociedade em constante mudança coloca um permanente desafio ao sistema educativo. As tecnologias da informação e comunicação (TIC) são um dos factores mais salientes dessa mudança acelerada, a que este sistema tem que ser capaz de responder rapidamente, antecipar e mesmo promover” (2002:2). O mesmo documento estabelece a necessidade dos professores possuírem um conjunto de competências básicas em TIC que implicam o conhecimento e competências em cinco vertentes: 1. atitudes positivas, numa perspectiva de abertura à mudança, receptividade e aceitação das potencialidades das TIC (…); 2. promoção de valores fundamentais no uso das TIC (…); 3. competências de ensino genéricas sobre quando utilizar e como integrar as TIC nas diferentes fases do processo de ensino (…); 4. competências para o ensino da disciplina/área curricular, incluindo o modo como integrar as TIC no curriculum (…); 5. capacidades de manuseamento das ferramentas, incluindo software utilitário e de gestão pedagógica, em contexto educativo (ibidem, 2002:4-5). O desenvolvimento e actualização das competências dos professores em TIC é uma necessidade permanente não só pela ausência ou limitada formação inicial de muitos professores neste domínio, mas também pela rápida evolução das tecnologias e serviços que neste domínio estão em contínuo desenvolvimento. Torna-se assim necessário que as próprias metodologias utilizadas nos processos de formação contínua, quer em domínios directamente relacionados com as TIC, quer em qualquer outro domínio do conhecimento, façam uso do próprio potencial das TIC, no suporte às actividades de formação. Deste modo, podem desenhar-se iniciativas de formação que mobilizam em simultâneo competências diversas no âmbito das TIC, abarcando as várias vertentes atrás referenciadas. O documento “Estratégias para a acção – As TIC na educação” a que temos feito referência, tem subjacente este mesmo espírito quando refere que: “[h]á assim que intensificar a mobilização dos professores para a aquisição e desenvolvimento de competências através da formação contínua adequada e que associe a utilização das TIC ao processo didáctico-pedagógico alterando as metodologias utilizadas. Trata-se, não só de conferir aos professores o domínio das ferramentas TIC mas também o conhecimento dos modos de usar estas ferramentas para promover a aprendizagem” (NÓNIO, 2002:26). O mesmo documento, refere que “[a] formação contínua pode recorrer também às TIC para conceber dispositivos de apoio baseados na lógica da formação a distância. Deste modo será possível o