65 ComuniCações • Piracicaba • Ano 18 • n. 1 • p. 65-78 • jan.-jun. 2011 • ISSN Impresso 0104-8481 • ISSN Eletrônico 2238-121X Lembranças de duas décadas de trabaLho Memories of Two Decades of Work João dos Reis silva JúnioR universidade Federal de são Carlos – (uFsCar) joaodosreissilvajr@gmail.com Resumo este breve conto proustiano, que se nega ao mesmo tempo, sua própria condição de ser, tem por objetivo contar uma história ou, mais precisamente, escrever “um causo” sobre o tempo em que trabalhei com Valdemar Sguissardi. Faz fcção sobre o que nos desafava como curiosos da realidade e como as discussões sobre ela foram, de alguma maneira, muito fruídas, moldando nosso trabalho cotidiano e os muitos resultados deste trabalho, cujos interlocutores sempre foram amigos, adversários, porém jamais uma agên- cia reguladora de criação que, como mostramos, tornou-se a Capes. o texto apresenta as fases de nossa produção de conhecimento como resultado da tensão entre a realidade e a curiosidade. Nada mais que isso. É apenas um conto. Para mim, agora, uma gratifcante e feliz recordação. Palavras-chave univeRsidade pública; mudanças institucionais; tRabalho do pRofessoR pesquisadoR. AbstRAct The aim of this brief Proustian narrative, which simultaneously denies itself its own condition of being, is to tell a story, or more accurately, to write a case about the time I worked with Valdemar Sguissardi. It makes a fction about those things that challenged us as onlookers of reality and shows how the debates were in some way enjoyed, shaping our daily work and its many results. Its members were always friends, adversaries, but never an agency regulating creation, such as the one Capes became. The text presents the phases of our knowledge production as a result of the tension between reality and curiosity. Not more. It is just a tale. For me it is now a gratifying and happy memory. Keywords public univeRsity; institutional changes; the ReseaRcheR/pRofessoRs woRk O fato aconteceu no mês de fevereiro de 1969, ao norte de Boston, em Cam- bridge. Não o escrevi de imediato porque meu primeiro propósito foi esquecê- -lo, para não perder a razão. Agora, em 1972, penso que, se escrever, os outros o lerão como um conto e, com os anos, talvez o seja para mim. (Borges, 2005)