100 R. bras. Ci. Vet., v. 16, n. 2, p. 100-102, maio/ago. 2009 COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA Estrangulação de intestino delgado devido a divertículo de Meckel e banda mesodiverticular em égua gestante – relato de caso Strangulation of the small intestine by Meckel´s diverticulum and mesodiverticular band in a pregnant mare – Case Report Vanessa Viscardi, 1 * Gustavo Caram Stratievsky*, Helder Onuki Sato*, Rafael Resende Faleiros*, Geraldo Eleno Silveira Alves* Resumo O objetivo deste trabalho é descrever a ocorrência de cólica por estrangulação intestinal ocasionada por banda mesodiverticular (BMD) e divertículo de Meckel (DM) em uma égua no terço final de gestação com histórico de 20 horas de cólica moderada contínua sem resposta à administração de analgésicos. Pela celiotomia constatou-se a presença de BMD e DM medindo 15cm a partir da borda anti-mesentérica, ocasionando estrangulação intestinal distante 150cm do orifício ileocecal. Realizaram- se enterectomia de 290cm de alça necrosada, drenagem do conteúdo enegrecido e fétido do intestino remanescente, seguida de by pass do ceco por jejuno-colonostomia. Durante o pós-operatório, o quadro se manteve refratário à terapia intensiva instituída. O animal voltou a ter refluxo pela sonda nasogástrica e ocorreu abortamento após seis dias, sendo praticada a eutanásia após 24 horas. A BMD e o DM são estruturas remanescentes dos componentes onfalomesentéricos vitelinos, e sua ressecção deve ser considerada sempre que essas estruturas forem diagnosticadas durante a cirurgia abdominal em equinos. A égua deste relato viveu cinco anos sem consequências aparentes, até que tais alterações provocaram a estrangulação intestinal. Palavras-chave: divertículo de Meckel, banda mesodiverticular, obstrução intestinal, estrangulação, equino. Abstract The objective of this report is to describe the occurrence of intestinal strangulation caused by mesodiverticular band (MDB) and Meckel´s diverticulum (MD) in a mare at the latter third of gestation with a 20 hours history of moderate colic unresponsive to analgesic medication. The celiotomy revealed the presence of 5.9 inches long MD and MDB causing intestinal strangulation 59 inches from the ileocecal valve. It was performed an enterectomy of 115 inches of necrotic loop, drainage of the dark and fetid content of the remaining intestine, followed by cecum bypass through jejunocolostomy. Despite the intensive therapy established during postoperative, the gastric reflux through the nasogastric tube came back, the mare suffered abortion after six days, and the euthanasia was performed after 24 hours. MDB and MD are remaining structures of vitelline omphalomesenteric components and their resection should be considered whenever these structures are diagnosed during abdominal surgery in equines. The mare on this report lived five years without apparent consequences; until the moment these alterations caused intestinal strangulation. Keywords: Meckel´s diverticulum, mesodiverticular band, intestinal obstruction, strangulation, equine. Relato do caso Uma égua da raça Mangalarga Marchador, com cinco anos de idade, em terço final de gestação, foi referida ao hospital veterinário com histórico de 20 horas de cólica moderada contínua sem resposta à administração de analgésicos. Ao exame físico, observou-se a presença de sudorese, apatia, anorexia, taquicardia (82bpm), taquipnéia (28mpm), mucosas oculares e vulvar hiperêmicas, mucosa oral pálida sem umidade, tempo de preenchimento capilar 3 seg., ausência de borborigmos à ausculta abdominal e de refluxo pela sondagem nasogástrica. O exame transretal permitiu constatar movimentos do feto e várias alças de intestino delgado distendidas. Pela celiotomia constataram-se necrose de intestino delgado e a presença de banda mesodiverticular (BMD) e divertículo de Meckel (DM) (Figura1A) medindo 15cm a partir da borda antimesentérica. Tais estruturas encontravam-se torcidas com evidência de estrangulação distante 150cm do orifício ileocecal. Realizaram-se enterotomia e drenagem do conteúdo * Departamento de Clínica e Cirurgia Veterinárias da Universidade Federal de Minas Gerais. A quem enviar a correspondência. E-mail: vanessaviscardi@yahoo.com.br http://dx.doi.org/10.4322/rbcv.2014.178