Acta Scientiarum Maringá, v. 23, n. 6, p. 1579-1587, 2001 Provas de carga horizontal em estacas escavadas a trado mecânico em solo colapsível da região de Londrina, Estado do Paraná Miriam Gonçalves Miguel 1 *, Antônio Belincanta 2 , Carlos José Marques da Costa Branco 1 e Raquel Souza Teixeira 1 1 Departamento da Construção Civil, Universidade Estadual de Londrina, Campus Universitário, Rodovia Celso Garcia (Pr 445), km380, 86051-990, Londrina, Paraná, Brasil. 2 Departamento de Engenharia Civil, Universidade Estadual de Maringá, Av. Colombo, 5790, 87020-900, Maringá, Paraná, Brasil. *Author for correspondence. RESUMO. No Campo Experimental de Engenharia Geotécnica (CEEG) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Estado do Paraná, onde o perfil do subsolo se apresenta com uma camada superficial de solo argiloso, poroso e colapsível, com consistência de mole a média, foram realizadas e analisadas quatro provas de carga horizontal em pares de estacas escavadas a trado mecânico, com a finalidade de se obter o coeficiente de reação horizontal do solo (n h ) e sua variação quanto ao efeito da colapsibilidade. Os resultados das provas de carga horizontal são apresentados através das curvas carga versus deslocamento horizontal do solo, em duas condições: sem inundação e com pré-inundação por 48 horas. O efeito da colapsibilidade do solo é analisado pela redução da capacidade de carga horizontal, determinada pela comparação entre as cargas de ruptura e de colapso obtidas nessas provas de carga. Os resultados das provas de carga permitiram também determinar as curvas do coeficiente de reação horizontal (n h ) versus o deslocamento horizontal junto à superfície do terreno (y o ), considerando a rigidez à flexão da estaca constante com a fissuração do concreto. Na determinação dos valores médios de (n h ), foram considerados os intervalos de (y o ) de 6 a 12 mm (solo não inundado) e de 12 a 18 mm (solo inundado). Palavras-chave: prova de carga horizontal, reação horizontal do subsolo, fundações por estacas. ABSTRACT. Horizontal load tests on auger piles in collapsible soil of Londrina PR. The behavior of horizontally loaded bored piles in a collapsible soil was studied. Experimental investigation comprised four horizontal load tests performed on two piles at each time, located at the Experimental Foundation Field at the State University of Londrina, Paraná, where the soil profile shows a superficial layer of collapsible clay. Horizontal load tests were performed for two soil conditions: natural (not wetted) and 48 hours pre-wetted. Ultimate and collapse loads, obtained in these conditions, produced a better understanding of the influence of soil collapsibility in the reduction of the piles' bearing capacity. Load test data also produced curves of horizontal coefficient subgrade reaction (n h ) versus ground horizontal displacement (y o ), when a constant pile flexural rigidity with concrete cracking was taken into account. Average value of (n h ) was determined by these curves for y o , ranging from 6 to 12 mm (natural soil) or 12 to 18 mm (wetted soil). Key words: horizontal load test, horizontal subgrade reaction, pile foundation. Este trabalho tem como objetivo fornecer subsídios à aplicação na prática da engenharia dos métodos da teoria de reação horizontal do solo, visto que o estudo de estacas carregadas horizontalmente engloba um problema teórico tridimensional de difícil modelagem matemática. A maioria dos métodos existentes leva em consideração a reação do solo, por unidade de comprimento do elemento de fundação, como sendo proporcional ao respectivo deslocamento horizontal. Esta proporcionalidade é caracterizada pelo denominado Módulo de Reação Horizontal (K), com unidades de FL -2 . Nas argilas pré-adensadas, o módulo (K) é constante com a profundidade (z), mas nas areias e argilas normalmente adensadas, varia linearmente com a profundidade, de acordo com a expressão (K = n h x z). O coeficiente angular dessa reta (n h ) é denominado de coeficiente de reação horizontal do solo, sendo de unidades FL -3 , de acordo com Cintra (1981). Os parâmetros (K) e (n h ) podem ser obtidos experimentalmente, através de provas de carga.