8º Congresso Brasileiro de Algodão & I Cotton Expo 2011, São Paulo, SP – 2011 Página | 431 CONGRESSO BRASILEIRO DE ALGODÃO, 8.; COTTON EXPO, 1., 2011, São Paulo. Evolução da cadeia para construção de um setor forte: Anais. Campina Grande, PB: Embrapa Algodão, 2011. p.431-436. (CD-ROM) OCORRÊNCIA DO COMPLEXO FUSARIUM + NEMATOIDES EM PRIMAVERA DO LESTE – MT E SEUS EFEITOS SOBRE GENÓTIPOS DIVERSOS DE ALGODOEIRO Rafael Galbieri 1* , Edivaldo Cia 2,4 , Milton Geraldo Fuzatto 2 , Jean Louis Belot 1 , Edson R. Andrade Junior 1 ; Sheila Fanan 1 ; Rodrigo C. Franzão 1 , Wilson Paes de Almeida 3 . 1 Instituto Mato-grossense do Algodão (IMA), rafaelgalbieri@imamt.com.br; 2 Instituto Agronômico de Campinas (IAC); 3 Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR); 4 Bolsista do CNPq . RESUMO – É relatada a ocorrência, na região de Primavera do Leste-MT, em condições naturais de infestação, do complexo Fusarium + nematoides (M. incognita) e seus efeitos sobre 21 genótipos de algodoeiro, compreendendo cultivares e linhagens avançadas. Em cerca de metade dos genótipos, 60% ou mais das plantas apresentaram os sintomas vasculares do fungo e no caso extremo, a incidência atingiu 90%. Somente dois dos genótipos testados apresentaram, em níveis adequados, resistência ao fungo e tolerância ao nematoide. Os genótipos diferiram notavelmente quanto à produção de algodão, e análise de correlação múltipla evidenciou que 72% da variação na produção pode ser explicada pela variação nos sintomas provocados nas plantas pelos dois patógenos em questão. Nessas condições, foram estimadas perdas na produção de até 55%, atribuíveis à doença, nos genótipos mais suscetíveis. Em dois terços de todos os genótipos estudados tais perdas foram iguais ou superiores a 20%. A utilização, nas lavouras, da maioria desses genótipos pode ocasionar, além das perdas na produção, elevação do potencial de inóculo e rápida disseminação da doença na região. Palavras – chave – murcha de Fusarium, avaliação de genótipos, Mato Grosso. INTRODUÇÃO Embora tenha sido relatada no Brasil em 1935, a murcha do algodoeiro, causada por Fusarium oxysporum Schlechtend f. sp. vasinfectum (Atk.) Snyder & Hansen, foi detectada no Estado de Mato Grosso apenas em 2003 (MACHADO et al., 2003). Desde então, essa doença vem se disseminando nesse Estado, principalmente em áreas infestadas por nematoides, em virtude da interação entre os patógenos (BELL, 1999; KATSANTONIS et al., 2003). Esse quadro preocupa, pois, uma vez infestada, a área permanece nessas condições por longo período, já que o fungo sobrevive no solo na forma de clamidósporo (SMITH; SNYDER, 1975). Isso torna difícil ou impossível sua erradicação (DAVIS et al., 2006) sendo necessária, portanto, a convivência com o patógeno. Uma vez introduzida, a forma de controle mais eficiente e econômica da doença é a utilização de cultivares resistentes (BROWN; WARE, 1958; RIDGWAY et al. 1984). Até a data presente (2011) não se tem dados experimentais com relação ao complexo Fusarium-nematóide em algodoeiro no