1 Estudo comparativo de canais de transmissão de conhecimento em Clusters Têxteis e de Vestuário de Santa Catarina - Brasil e do Norte de Portugal ANA PAULA LISBOA SOHN Mestre, Departamento de Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina, anasohn@hotmail.com FILIPA D. VIEIRA Professora Auxiliar, Departamento de Produção e Sistemas, Universidade do Minho, filipadv@dps.uminho.pt NELSON CASAROTTO FILHO 3 Professor associado, Departamento de Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina, casarotto@deps.ufsc.br Resumo: Há consenso entre investigadores especializados, de que os processos de aprendizagem colaborativa em clusters são cruciais para a formação da vantagem competitiva ao nível individual das empresas e no conjunto que forma o aglomerado produtivo. Neste artigo pretendeu-se identificar e analisar os canais de aprendizagem tecnológica em dois clusters têxteis e de vestuário: um localizado em Santa Catarina, no Brasil, e outro na região Norte de Portugal. Para tanto foi realizada uma investigação de cunho exploratório nos referidos clusters. Os dados primários foram obtidos através de entrevistas com sujeitos-chaves. A recolha dos dados primários foi realizada com base num questionário com dez categorias de indicadores de transmissão do conhecimento. Foi possível constatar semelhanças e diferenças entre canais de transmissão de conhecimento nos clusters avaliados. A partir deste trabalho de investigação abrem-se novas perspetivas para a promoção de estudos mais profundos e que abranjam outros tipos de aglomerações industriais. Ressalta-se a importância de estudos relacionados com a promoção de políticas que minimizem as dificuldades no compartilhamento de conhecimento, e simultaneamente favoreçam a interação e a criação de parcerias voltadas para a inovação e consequentemente a geração de ganhos sustentáveis. Palavras-chave: Clusters industriais; aprendizagem interorganizacional; canais de transmissão de conhecimento. 1. Introdução O acelerado processo de desverticalização das empresas, outrora integradas verticalmente, está criando redes e cadeias de suprimento cada vez mais estendidas, que exigem avançados sistemas de gestão interorganizacional para gerar eficiência coletiva, salientando-se entre eles a esfera da gestão do conhecimento. Neste contexto, a gestão do conhecimento é entendida como a criação de valor a partir da gestão dos ativos intangíveis da organização por meio de processos de criação, compartilhamento e utilização de conhecimentos (Sveiby, 1998). Observa-se que a gestão do conhecimento em clusters industriais ainda é um tema que suscita estudos específicos sobre compartilhamento e aprendizagem coletiva (Guo & Guo 2010; Ganzert, Marinelli, 2009; Asproth, 2007; Larsson et al., 1998). Destaca-se que parte das publicações sobre este temática são pesquisas empíricas sobre as dificuldades das organizações de aprenderem por meio de interações (Knight, 2002). Conforme Guo e Guo (2010), nos conceitos de clusters industriais apresentados por Porter (1998), Giuliani e Bell (2005) e Morosini (2004) observa-se a importância do conhecimento e da aprendizagem. Segundo estes autores a proximidade geográfica, as ligações económicas e a partilha de conhecimento são características básicas de clusters. Para Baptista e Swan (1998) a difusão do conhecimento pode ser considerada uma das principais razões que diferenciam os clusters de sucesso dos demais. A literatura especializada evidencia ainda que as empresas individuais que fazem parte de clusters têm acesso a fornecedores especializados, uma imersão cultural e infraestrutura. Numa pesquisa sobre clusters e redes de cooperação na Alemanha, Gerolamo et al. (2008), observam que as empresas pertencentes a clusters têm demostrando desempenho acima da média quando comparadas com as demais empresas dos seus respetivos setores. Diversos estudos destacam as vantagens de se pertencer a um cluster, e desde Marshall procura-se compreender as externalidades advindas da ação conjunta (Schmitz, 1999). Na literatura recente as pesquisas de Baptista e Swan (1998), Maskell (2001), Maskell e Malmberg (2007), Morrison et al. (2011), Giuliani e Bell (2005), e Guo e Guo (2010), voltam-se para a questão da aprendizagem no interior dos clusters. Apesar de se reconhecer a importância dos processos relacionados com a transmissão de conhecimento, que levam à aprendizagem colaborativa, são poucas as pesquisas que identificam e avaliam o impacto dos diferentes canais de transmissão de conhecimento que contribuem para os referidos processos. Dentre os estudos publicados sobre canais de transmissão