Como peixes fora d’água: o caso dos pesca- dores profssionais artesanais na UHE Foz de Chapecó 1 Like fsh out of water: the case of professional fshermen in the Foz de Chapecó Hydroelectric Plant Arlene Renk Doutora em Antropologia pelo Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora titular da Unochapecó. Docente Permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, na Linha Sociedade, Ambiente e Sustentabilidade. Gilberto Luiz Agnolin Mestre em Ciências Ambientais – UNOCHAPECÓ. Exerce o cargo de Diretor de Educação Superior da Secretaria de Estado de Educação de SC (licenciado das atribuições docentes da UNOCHAPECÓ). É Conselheiro titular do Conselho Estadual de Educação de SC. Silvana Winckler Doutora em Direito pela Universidade de Barcelona. Professora Titular da Unochapecó. Docente Permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (Mestrado Acadêmico) e do Núcleo de Pesquisa Stricto Sensu em Direito da UNOCHAPECÓ. RESUMO Nas construções de usinas hidrelétricas, a formação de reservatórios artifciais nos locais onde existiam rios é uma consequência inevitável. Durante todo o processo de implementação da usina, da licitação até a entrada em operação, muitas ações são desencadeadas pelo empreendedor, com autorização do Estado, tendo como base o Plano Básico Ambiental (PBA). Uma dessas ações é o processo de aquisição das terras que serão alagadas e das margens do futuro reservatório, gerando o deslocamento compulsório dos ribeirinhos. O presente artigo descreve as estratégias de negociações e suas consequências para as populações rurais e ribeirinhas, especialmente os pescadores que habitavam a região adquirida pela Foz do Chapecó, inaugurada em dezembro de 2010. Leva-se em consideração os diferentes pesos de que estavam dotados os grupos em “diálogo”, sendo que os pescadores profssionais sequer fguraram no EIA e RIMA realizados. De um lado, esses segmentos organizam-se na busca de direitos; de outro, o empreendedor vale-se de estratégias que vão da invisibilidade dos grupos ao reconhecimento 1 Trabalho apresentado na 28.ª Reunião Brasileira de Antropologia, realizada entre os dias 02 e 05 de julho de 2012, em São Paulo, SP, Brasil. Revista Antropolítica, n. 37, p. 137.156, Niterói, 2. sem. 2014