57 R. bras. Ci. Vet., v. 18, n. 2/3, p. 57-61, maio/dez. 2011 Análise morfológica e termotolerância de isolados clínicos e do ambiente de Sporothrix schenckii do sul do Brasil Morphological pattern and thermotolerance of clinical and from environment isolates of Sporothrix schenckii from the south of Brazil Isabel Martins Madrid,* Rosema Santin,** Luis Filipe Damé Schuch,* Angelita Reis Gomes,* Márcia de Oliveira Nobre,*** Mário Carlos Araújo Meireles* Resumo A esporotricose é causada pelo fungo Sporothrix schenckii sendo considerada uma micose de grande importância em saúde publica. Devido às diferenças clínicas, epidemiológicas e moleculares descritas em vários estudos, este estudo avaliou as características fenotípicas e termotolerância de 36 isolados clínicos de S. schenckii provenientes de casos clínicos de esporotricose felina, canina e humana, quatro isolados do ambiente e duas cepas de referência. Os 42 isolados de S. schenckii originados de cinco cidades da região sul do Rio Grande do Sul (Brasil) foram utilizados para análise fenotípica, termotolerância e conversão para a fase leveduriforme. Os cultivos em agar lactrimel, agar Sabouraud acrescido de cloranfenicol e agar batata a 25 e 35 o C demonstraram diferenças na morfologia das colônias e na velocidade de crescimento (p=0,026) entre as cepas de referência e os isolados clínicos e do ambiente. Na avaliação da termotolerância, 26,2% dos isolados foram capazes de crescer a 41 o C. Todos os isolados foram convertidos para a fase leveduriforme. O estudo da micromorfologia demonstrou diferenças estatísticas (p<0,01) entre isolados clínicos de felinos e o restante dos isolados em relação a conídios pigmentados e formas de “margaridas”. Nossos resultados demonstraram diferenças morfológicas entre isolados clínicos e do ambiente de S. schenckii provenientes de uma mesma região e uma maior probabilidade de desenvolvimento de formas clínicas disseminadas e sistêmicas por isolados de casos clínicos de esporotricose felina devido à termotolerância. Palavras-chave: esporotricose, fungo dimórfico, morfologia, crescimento. Abstract Sporothrix schenckii is the etiological agent of the sporotrichosis in animals and humans being this mycosis of great importance in public health. Due to clinical, epidemiological and molecular differences described in other studies, this study evaluated phenotypic and thermotolerance characteristics of 36 S. schenckii isolates from clinical cases of feline, canine and human sporotrichosis, four environmental isolates and two reference strains. Forty-two S. schenckii isolates from five towns of the south region of the Rio Grande do Sul, Brazil were utilized to phenotypic analyses, thermotolerance and conversion to the yeast phase. Cultured isolates on lactrimel agar, Sabouraud dextrose agar added chloramphenicol and potato dextrose agar at 25 and 35 o C showed differences in the colonies morphology and growth time (p=0,026) among reference strains and, clinical and environmental isolates. In the thermotolerance evaluation 26.2 % isolates were capable of growth at 41 o C. All isolates presented conversion to the yeast phase. Microscopic morphologies study showed statistical differences (p<0,01) among clinical isolates of felines and other species in relation to sessile pigmented and sympodial conidia. Our results demonstrated morphological differences among S. schenckii clinical and environmental isolates of a same region and an great probability of development of clinical forms disseminated and systemic by sporotrichosis feline isolates due to thermotolerance. Keywords: Sporotrichosis, dimorphic fungus, morphology, growth. * Departamento de Veterinária Preventiva, Universidade Federal de Pelotas, RS, Rua Gonçalves Chaves 3435, CEP 96015-560, Pelotas-RS, Brasil; +55 53 9911.2744, Fax +55 53 3275.7644. ** Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), RS. *** Departamento de Clínicas Veterinária, Universidade Federal de Pelotas, RS. Autor para correspondência: Isabel Martins Madrid. E-mail: imadrid_rs@yahoo.com.br. http://dx.doi.org/10.4322/rbcv.2014.121