R. Bras. Zootec., v.33, n.2, p.337-343, 2004 1 Parte da dissertação de mestrado do primeiro autor apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da UFLA. Projeto financiado parcialmente pela FAPEMIG e pelo CNPq. 2 Zootecnista, M.Sc. pelo DZO da UFLA. E.mail: gastongine@yahoo.com.br 3 Professor Adjunto do DZO da UFLA – CP 37 – 37200-000 - Lavras – MG. E.mail: rilke@ufla.br 4 Professor Titular Aposentado da UFLA. E.mail: ailson@ufla.br 5 Professor Adjunto da FAFEOD. E.mail: idalmo@fafeod.br 6 Professor Adjunto do DZO da UFLA. E.mail: tarcisio@ufla.br Estimativa de Parâmetros Genéticos para Características de Carcaça em um Rebanho de Suínos Large White 1 Gastón Andrés Fernandez Giné 2 , Rilke Tadeu Fonseca de Freitas 3 , Antonio Ilson Gomes de Oliveira 4 , Idalmo Garcia Pereira 5 , Tarcísio de Moraes Gonçalves 6 RESUMO - Com o objetivo de estimar parâmetros genéticos para características de carcaça de suínos, foram utilizados dados de rendimento de carcaça (RC), comprimentos de carcaça pelo método Brasileiro (CCMB) e pelo método americano (CCMA), espessuras de toucinho média (ETM) e a 6,5 cm da linha dorsal (P 2 ), área de olho de lombo (AOL), relação carne:gordura (RCG), rendimento de pernil (RP), porcentagens de carne (PC), gordura (PG) e cortes magros (PCM), relação peso da gordura/peso da carne (RGC) e taxa de crescimento em músculo (TCM), obtidos de 711 suínos Large White. Os componentes de (co)variância foram estimados pelo método da Máxima Verossimilhança Restrita (REML), incluindo no modelo efeitos fixos (sexo e grupo contemporâneo) e aleatórios (efeitos genéticos e residuais). Utilizou-se a covariável “peso de abate” para RC e “peso da carcaça fria” para CCMB, CCMA, ETM, P 2 , AOL e RCG. Estimativas de h 2 para RC, CCMB, CCMA, ETM, P 2 , AOL, RCG, RP, PC, PG, PCM, RGC e TCM foram, respectivamente, 0,39, 0,34, 0,19, 0,17, 0,16, 0,27, 0,15, 0,12, 0,45, 0,36, 0,32, 0,39 e 0,37. Espessura de toucinho média, P 2 e RCG foram as características mais correlacionadas geneticamente com carne e gordura da carcaça, seguidas da AOL, CCMA e RP, com tendência similar para as correlações fenotípicas. AOL e RCG tiveram maiores correlações genéticas e fenotípicas com TCM, ou seja, melhoram, por intermédio de seleção, a qualidade da carcaça do animal e a taxa de produção de carne. Palavras-chave: parâmetros genéticos, REML, suínos, carcaça Estimate of Genetic Parameters for Carcass Traits in Large White Swine Herd ABSTRACT - In order to estimate genetic parameters for swine carcasses traits, data of dressing percentage (DP), carcass length by Brazilian method (CLBM) and American method (CLAM), average backfat thickness (ABT), backfat thickness at 6.5 cm from the dorsal line (P 2 ), loin eye area (LEA), lean:fat ratio (LFR), ham yield (HY), lean, fat and lean cuts yields (LY, FY and LCY), fat weight:lean weight ratio (FLR), and lean tissue growth rate (LTGR) obtained from 711 swine of the Large White breed, were used. (Co)variances components were estimated by the Restricted Maximum Likelyhood Method (REML) including in the model fixed effects of sex and contemporary group, and random effects of animal. Covariables “slaughter weight” for DP and “cold carcass weight” for CLBM, CLAM, ABT, P 2 , LEA and LFR, were used. For DP, CLBM, CLAM, ABT, P 2 , LEA, LFR, HY, LY, FY, LCY, FLR and LTGR, the estimates of h 2 were 0.39, 0.34, 0.19, 0.17, 0.16, 0.27, 0.15, 0.12, 0.45, 0.36, 0.32, 0.39 and 0.37, respectively. Backfat thickness, P 2 and LFR were the most genetically correlated traits with the carcass fat and meat contents and LEA, CLAM and HY showed intermediary values. In general, the same trend was observed for the phenotypic correlations. LEA and LFR showed greatest genetic and phenotypic correlation with LTGR, concluding that there is improve of animal carcass quality and the lean production rate through selection. Key Words: genetic parameter, REML, swine, carcass Introdução O sucesso de um programa de melhoramento genético depende, em sua elaboração, do conhecimento de estimativas precisas e confiáveis dos parâmetros genéticos, fenotípicos e ambientais da população a ser melhorada. O método da máxima verossimilhança restrita (REML), proposto por Patterson & Thompson (1971), é o mais recomendado para estimação de componentes de (co)variância em animais, pois, além de considerar a perda de graus de liberdade resultante dos efeitos fixos, as estimativas são mantidas sempre dentro do espaço paramétrico (Anderson, 1984; Costa et al., 2001).