Página | 68 EDIÇÃO Nº 10 – Volume I , AGOSTO DE 2012 ARTIGO RECEBIDO ATÉ 10/06/2012 ARTIGO APROVADO ATÉ 10/07/2012 AS ORAÇÕES INTERROGATIVAS NAS LÍNGUAS INDÍGENAS BRASILEIRAS Nataniel dos Santos Gomes UEMS Introdução No presente artigo, será mostrado como são analisadas as estruturas interrogativas em línguas indígenas brasileiras. Inicialmente será apresentado o trabalho seminal de Brandon e Seki (1984) sobre interrogativas em línguas Tupi. Em seguida, será mostrada a análise que Maia et alii (2000) fazem sobre as interrogativas em três línguas nativas não geneticamente relacionadas. 1. Interrogativas em Tupi Brandon e Seki (1984) realizaram um estudo sobre o sistema de interrogativas em oito línguas representantes de três famílias do Tronco Tupi. O foco da investigação dos autores é a combinação de movimento de QU e a ordem OV. De acordo com Brandon e Seki, os dados observados não podem ser tratados com base na proposta (da época) sobre a relação entre a ordem VO e a presença de um nódulo QU em posição inicial (onde estaria a partícula interrogativa), reservada para perguntas sim/não e para a aterissagem de palavras interrogativas. Nessas línguas, de acordo com os autores, não é possível associar movimento de interrogativas com partículas sim/não. Isto é, o movimento de palavras interrogativas está totalmente desvinculado da presença de partículas interrogativas e de complementizadores. As três famílias investigadas foram Mundurukú, Sateré-Maué e Tupi-Guarani. Mundurukú e Sateré-Maué representam os seus próprios membros. A família Tupi-Guarani tem as seguintes línguas representantes: Asurini do Trocará, Kamaiurá, Kayabí, Oiampí, Guarani Paraguaio, Tupinambá e Txiriguano.