Scientia Traductionis, n.14, 2013 http://dx.doi.org/10.5007/1980-4237.2013n14p2 TRADUÇÃO E MACHADO NACIONAL E INTERNACIONAL LUANA FERREIRA DE FREITAS, P ABLO CARDELLINO SOTO, W ALTER CARLOS COSTA ste número monográfico de Scientia Traductionis, examina, como sugere o título, a rica relação entre Machado de Assis e a tradução. Essa relação é múltipla e está tanto no papel da tradução na formação do Machado leitor e escritor como na progressiva internacionalização do Machado escritor via tradução. Abre o número o ensaio “Translating Machado de Assis / Traduzindo Machado de Assis”, de John Gledson. Redigido quando o autor esteve como professor visitante na PGET, Pós-graduação em Estudos da Tradução, da UFSC, ensaio que foi premiado no I Concurso Internacional Machado de Assis, promovido pelo Itamaraty em 2006. Fiel ao espírito da revista, publicamos o original em inglês, inédito, e sua tradução, que consta do volume A obra de Machado de Assis, publicada pelo Ministério de Relações Exteriores, e é republicada aqui com autorização do autor. Ao longo do ensaio, Gledson dá conta da limitada produção intelectual sobre o estilo, a prosa e o ritmo de Machado e sustenta que a reflexão sobre o texto traduzido pode iluminar essas questões. Em um primeiro momento, Gledson faz um exame das escolhas tradutórias em fragmentos das traduções de Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro para o inglês, e, em seguida, analisa sua tradução do conto “Singular ocorrência”. O segundo bloco de textos, intitulado Machado de Assis tradutor, trata uma faceta ainda pouco estudada de nosso maior escritor, e que vem despertando um interesse crescente entre os pesquisadores, a de tradutor. O papel da tradução na consolidação da literatura brasileira é ressaltado por Helena Tornquist em “Tradução e recepção: textos dramáticos traduzidos por Machado de Assis”. Para ela, a atividade tradutória de Machado reflete uma prática geral entre os escritores do período e recorda a atividade tradutória de, entre outros, Olavo Bilac, Rui Barbosa, Carlos de Laet, sobretudo de textos de difusão da cultura francesa. A autora assinala que a tradução e a crítica de teatro francês, assim como a elaboração de pareceres sobre peças traduzidas para o Consultório Dramático, constituiu “o marco inicial da carreira do escritor” Machado de Assis. Chama a atenção também para o impacto da prática machadiana da tradução, que incluiu um amplo leque de autores com distintas posições no cânone francês, na elaboração de E