DOI: 10.4025/cienccuidsaude.v14i2.24357 Cienc Cuid Saude 2015 Abr/Jun; 14(2):1165-1174 _______________ 1 Estudo conduzido com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Paraná, Fundação Araucária, Edital Universal de Pesquisa Básica e Aplicada nº 14/2008 (Protocolo nº 14233). *Enfermeira. Mestre em Enfermagem, Doutoranda em Enfermagem pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá-PR -UEM. E-mail: rosanarosseto@gmail.com. **Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UEM. E-mail: josanerc@hotmail.com. ***Matemático. Professor Adjunto do Departamento de Estatística - Programa de Pós-graduação em Bioestatística da UEM. E-mail: rmrossi@uem.br. ****Cientista Social. Professora Adjunta do Departamento de Ciências Sociais - Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UEM. E- mail: alrodrigues@uem.br. *****Enfermeira. Professora Titular do Departamento de Enfermagem, PSE - UEM. E-mail: tafmathias@uem.com. MORTALIDADE INFANTIL E FATORES ASSOCIADOS: ESTUDO POR TIPOLOGIAS SÓCIO-OCUPACIONAIS 1 Rosana Rosseto de Oliveira* Josane Rosenilda da Costa** Robson Marcelo Rossi*** Ana Lúcia Rodrigues**** Thais Aidar de Freitas Mathias***** RESUMO Analisar a mortalidade infantil em municípios da Região Metropolitana de Maringá, segundo Tipologias Sócio- Ocupacionais. Estudo ecológico com população constituída por todos os óbitos infantis, de residentes em Maringá, Sarandi e Paiçandu, de 2004 a 2008. Foram utilizados dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade e Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos. As divisões do território por Tipologias Sócio- Ocupacionais foram definidas a partir da variável “ocupação do chefe da família”. As demais variáveis foram categorizadas para posterior análise de regressão logística. Para as Tipologias Sócio-Ocupacionais cuja ocupação e ganho do chefe de família são inferiores, os coeficientes de mortalidade infantil são mais elevados, destacando-se a Tipologia Agrícola Médio Inferior (18,2 óbitos por mil nascidos vivos) e a Operário (16,4 óbitos por mil nascidos vivos). Associação forte com a ocorrência do óbito infantil foi observada com Apgar no 1º e 5º minutos inferior a sete (OR=23,2, e 71,8; p<0,001, respectivamente), peso ao nascer inferior a 2500g (OR=20,7; p<0,001), menos de 37 semanas gestacionais (OR=22,7; p<0,001) e anomalia congênita (OR=23,5; p<0,001). A segregação espacial resultou em condições heterogêneas de acesso e resolutividade aos serviços de saúde, mostrando necessidade de ações de saúde direcionadas aos aglomerados urbanos formados pelas Tipologias Sócio-Ocupacionais Agrícola Médio Inferior e Operário. Palavras-chave: Mortalidade infantil. Renda familiar. Distribuição espacial da população. Assistência à saúde materno-infantil. INTRODUÇÃO A mortalidade infantil é utilizada como indicador de saúde e de desenvolvimento, pois sintetiza características socioeconômicas e sanitárias da população. É um agravo vulnerável aos efeitos das condições de vida e da efetividade das ações setoriais de saúde como a oferta e a implementação de programas voltados à saúde da mulher e da criança (1) . A tendência de declínio no coeficiente de mortalidade infantil (CMI) vem ocorrendo em todo o território nacional, passando de 47,1 óbitos por mil nascidos vivos em 1990 para 22,5 em 2010 (2) . No Estado do Paraná esta redução foi de 30,5% de 2001 para 2010, de 17,4 diminuiu para 12,1 nos dois anos respectivamente (2) . Os avanços na estrutura e na organização do Sistema Único de Saúde (SUS) estão possibilitando melhorias no acesso e na qualidade da assistência principalmente às populações mais carentes (3) . Entretanto existem ainda diferenças regionais no país, pois enquanto a região sul apresentou coeficiente de 12,9 em 2007, o Nordeste permaneceu com os níveis mais elevados de 27,2 óbitos por mil nascidos vivos (2) . Portanto, a redução do CMI ainda representa um desafio, considerando as diferenças regionais e a velocidade de queda que está aquém do desejado, principalmente para o componente neonatal que não diminui significativamente desde a década de 1980 (4) . Assim torna-se necessário a realização de estudos em áreas especificas para desencadear ações de saúde direcionadas às diferenças existentes. A Região Metropolitana de Maringá (RMM),