EXTENSIO - Revista Eletrônica de Extensão Número 1, ano 2004 O LIXO COMO ESTRATÉGIA DE SOBREVIVÊNCIA: A PSICOLOGIA NAS ORGANIZAÇÕES SOLIDÁRIAS Adriano Beiras, Carolina Dácia Espíndola, Clariana Palmieri Brandão Alba, Gabriel Luiz Lückmann Acadêmicos do Curso de Psicologia da UFSC Maria Chalfin Coutinho Professora do Departamento de Psicologia da UFSC (Coordenadora) chalfin@mbox1.ufsc.br Resumo A abundância do lixo e o desemprego são dois resultados evidentes de um sistema capitalista, que tem por objetivo a acumulação de capital através do aumento da produção. Este artigo visa apresentar duas intervenções com associações (fundadas nos princípios da solidariedade e cooperação) que trabalham com o lixo, evidenciando novas possibilidades de atuação da psicologia social e do trabalho. Nas intervenções foram trabalhadas questões relacionadas ao vínculo grupal, cooperação, comunicação e a identidade dos trabalhadores. Palavras-chave: Economia Solidária, Psicologia Social do trabalho, recicladores de lixo. Introdução Em nossa sociedade atual os indivíduos são incentivados a consumir desenfreadamente, além das necessidades humanas básicas. A abundância do lixo e o desemprego são dois resultados evidentes deste sistema, que tem por objetivo a acumulação de capital através do aumento da produção. Vivemos em um momento de crise, desemprego e intensa exclusão social. Em todo o mundo, crescem os protestos, em prol de soluções para tais problemas. Buscam-se alternativas que possam garantir a sobrevivência das camadas mais atingidas da população, oferecendo oportunidade real de re-inserção na economia por sua própria iniciativa, transformando, dessa forma, desempregados em microempresários ou operadores autônomos. Desempregados, trabalhadores informais, os quais Tedesco (2001) chama de “incluídos fora do mercado”, são desafiados a buscar todos os dias estratégias de sobrevivência tendo que encontrar formas autônomas de inserção social, ainda que estejam à margem, sejam elas relacionadas à solidariedade, à economia popular ou ligadas à criminalidade e à ilegalidade. A economia solidária surge como uma reação que busca formas distintas das soluções individuais para inserção no mercado e no modo de produção e traz um novo modelo baseado na coletividade, socialização dos modos de produção, democratização das tomadas de decisões e relações de cooperação. Para Gaiger (2000), a Economia Solidária estaria apontando para a possibilidade de criação de uma forma social de produção diferente que convive com a forma de produção capitalista e com a forma social de produção assalariada. Já Machado e Ribas (2001) acreditam ser o objetivo central da economia solidária a geração de possibilidades econômicas destinadas à reintegração dos “excluídos” 1