35 A FICÇÃO DA EXCEÇÃO: ÉTICA, POLÍTICA E JUSTIÇA NO ESTADO DE SEGURANÇA NACIONAL NORMAN MADARASZ (PPGF-UGF) RESUMO Como conseqüência do 11 de setembro de 2001, a democracia na América do Norte tem sofrido graves ameaças internas, isto é, inerentes ao seu próprio governo. A filosofia, por sua vez, desde sempre procura determinar um espaço para se pensar a política atual. Contudo, ao confrontar os eventos atuais, o papel da filosofia não é apenas suplementar o comentário jornalístico. Ao mesmo tempo, se ela impõe seus modelos ou teorias para dar conta dos acontecimentos, corre o risco de provocar deformações e enganos. Sua tarefa, como sempre, é de negociar sensivelmente o terreno a partir do qual o real se dará nos seus componentes mais insensatos, a fim de mostrar a sistematicidade dos acontecimentos políticos e as singularidades dos jogos de poder atuantes. Nessa ótica, abordamos a crise da democracia norte-americana. O que caracteriza a crise é a noção de segurança nacional como variação dos poderes emergenciais oferecidos pela lei na forma de um Estado de exceção. Nós vinculamos a crise atual ao desenvolvimento do complexo militar-industrial, tal como foi incisivamente observado por Noam Chomsky, e consideramos questões relacionadas à filosofia do direito, para engajar uma discussão crítica com a recente obra de Giorgio Agamben sobre este assunto. PALAVRAS-CHAVE: Noam Chomsky; Giorgio Agamben; Bruce Ackerman; Patriot Act; Estado de segurança nacional; capitalismo. EXCEPTION’S FICTION: ETHICS, POLITICS AND JUSTICE IN THE NATIONAL SECURITY STATE ABSTRACT The threat to democracy in the western world has grown to critical levels in the aftermath of 9/11. Since its inception, philosophy has determined a space for thinking the politically current. Yet by confronting events as they unfold, philosophy’s role is not to turn itself into journalistic commentary. Likewise, there is no sense for philosophy to quickly impose its models or theories to interpret current affairs, given the risk of producing disinformation. Its task, as always, is to sensibly negotiate the terrain from which the real emerges in its most unexpected components so as to show both the systematicity of